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Funcionários descartam greve nos aeroportos até 12 de janeiro

Aeroviários, aeronautas e empresas começam a costurar acordo sobre reajustes

Por Adriana Caitano 29 dez 2010, 19h47

O caos que se instala nos aeroportos no período de férias expõe a fragilidade da estrutura aeroportuária no Brasil, incapaz de absorver o crescimento de 263% no número de passageiros observada nos últimos 17 anos

Uma boa notícia para quem pretende viajar nas próximas três semanas: da nova reunião de negociação entre empresários e trabalhadores do setor aéreo, ocorrida nesta quarta-feira, ainda não saiu um acordo definitivo. Mas os dois lados parecem ter encontrado alguns pontos de concordância e estabeleceram um prazo até o dia 12 de janeiro para a análise das propostas. Na prática, isso significa que até lá não haverá greve.

No encontro, as empresas, que anteriormente haviam oferecido um aumento de 8%, melhoraram um pouco a proposta. E os funcionários, que pediam no mínimo 13%, reduziram o piso. Ambos decidiram não divulgar os novos números e vão pedir o cancelamento da reunião com o Ministério Público do Trabalho, que ocorreria na quinta.

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Os problemas aéreos brasileiros, no entanto, estão longe de se resumir ao impasse sobre os salários dos e trabalhadores do setor. O caos que se instala nos aeroportos no período de férias expõe a fragilidade da estrutura aeroportuária no Brasil, incapaz de absorver o crescimento de 263% no número de passageiros observada nos últimos 17 anos – de 16,9 milhões em 1993 para 61,2 milhões em 2010, de acordo com o Ministério do Turismo.

Para o engenheiro aeroespacial e consultor em segurança de voo Jefferson Fragoso, ter atrasos no final do ano é normal, já que é um período chuvoso e, por segurança, toma-se mais cuidado com os embarques. Para piorar a situação, falta espaço para pousos e decolagens. Ele defende que sejam criados pelo menos mais dois aeroportos em São Paulo e um no Rio de Janeiro, e que a estrutura dos já existentes seja ampliada. “Os aeroportos do Brasil estão operando 20% acima da capacidade e, ultrapassando os limites assim, o colapso é inevitável”, comenta. Ele acrescenta que, ainda que se inicie um projeto concreto hoje, são necessários cerca de dez anos para se estruturar da maneira correta o tamanho e a quantidade de aeroportos no país.

Mais passageiros – As circunstâncias tornam-se mais preocupantes com a estimativa de aumento da demanda no setor. Ao contingente de novos clientes, saídos das classes C e D, que antes não tinham acesso ao avião, soma-se em breve o público da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016, que ocorrerão no Brasil. De acordo com um relatório encomendado pelo BNDES e publicado pela consultoria americana McKinsey no início de 2010, a estimativa de aumento de passageiros em voos domésticos e internacionais no país até 2014 é de 31,5% e de 181% até 2030.

Em sua análise, a McKinsey constatou que, dos 20 principais aeroportos nacionais, 13 apresentam gargalos nos terminais de passageiros. A consultoria sugere medidas de curto e longo prazo para o país evitar um novo caos, como mudar o comando da aviação civil para o Ministério dos Transportes, implementar uma estrutura de acesso rápido aos principais aeroportos e fazer um investimento de 25 a 34 bilhões de reais no setor até 2030 – quase 2 bilhões de reais por ano. De acordo com o relatório, de 2003 a 2008, a Agência Nacional de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) investiu somente 600 milhões por ano nos aeroportos.

A Infraero informou que, até 2014, investirá cerca de 9 bilhões de reais em 22 aeroportos do país. Desse total, 6 bilhões serão destinados aos que ficam nas 12 cidades-sede da Copa. Uma medida emergencial que já está sendo adotada – e também foi sugerida pelo relatório da McKinsey – é a construção de módulos operacionais, uma espécie de sala de embarque provisória para atender um maior número de passageiros. Resta saber se os investimentos continuarão sendo feitos após os eventos esportivos, para garantir que os brasileiros se livrem do caos nos aeroportos.

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