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Funcionário do Itamaraty enviou telegramas a embaixadas com alerta de golpe no Brasil

Segundo o jornal 'O Globo', Milton Rondó Filho foi advertido e perdeu o direito de autorizar comunicações do Itamaraty

Um funcionário do Itamaraty enviou a todas as embaixadas brasileiras no exterior, na última sexta-feira, telegramas alertando para a possibilidade de um golpe político no Brasil, reportou o jornal O Globo nesta quarta-feira. As circulares foram consideradas “sem efeito” no mesmo dia, pois teriam sido enviadas “sem autorização superior”. Ainda segundo a publicação, o funcionário Milton Rondó Filho, responsável pela área de combate à fome do Ministério das Relações Exteriores (MRE), foi advertido e perdeu o direito de autorizar comunicações do Itamaraty.

A mensagem foi enviada pela Secretaria de Estado de Relações Exteriores do Itamaraty (SERE) e solicitava que cada posto diplomático designasse alguém para dialogar com as organizações da sociedade civil locais. Logo em seguida, O texto foi encaminhado ao meio-dia da sexta-feira, dia 18, data das manifestações favoráveis ao governo.

Um segundo texto, também feito por Rondó e assinado pela Associação Brasileira de Organizações Não-Governamentais (Abong), que manifestou “profunda preocupação” com a crise política no Brasil e defendeu a luta pela democracia. A mensagem da Abong termina com “Não ao Golpe! Nossa luta continua!”.

A reportagem d‘O Globo informa que, em outro comunicado, também com data de sexta, o secretário-geral do Itamaraty, Sérgio Danese, pedia aos postos no exterior que ignorassem os comunicados anteriores. “Dou instruções. Rogo desconsiderar e tornar sem efeito as circulares telegráficas 100752 e 100755”.

Mesmo depois desse aviso, outra circular foi enviada, reproduzindo uma carta aos movimentos sociais da América Latina. “Denunciamos o processo reacionário que está em curso no país contra o Estado Democrático de Direito”, diz o texto, que também foi anulado.

Nesta quarta, o jornal informa que Rondó foi advertido e não poderá autorizar mensagens do Itamaraty.

(Da redação)