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Fornecedores de Rosinha doam R$ 2,5 mi à campanha de Garotinho

Empresa fez doação pouco depois de ser beneficiada por aditivo contratual na prefeitura de Campos dos Goytacazes. Empresários acusados de crimes em licitações contribuíram para o PR

O ex-governador do Rio de Janeiro e deputado federal Anthony Garotinho (PR), candidato ao Palácio Guanabara, apressou-se em classificar como “desvio de dinheiro público” as doações de fornecedoras do Estado ao PMDB do adversário Luiz Fernando Pezão, reveladas pelo site de VEJA. Garotinho, porém, vive o mesmo enredo do governador-candidato: levantamento de VEJA.com mostra que fornecedores da prefeitura de Campos dos Goytacazes, comandada por Rosinha Garotinho, mulher do deputado, doaram pelo menos 2,5 milhões de reais para as contas do Diretório do PR, presidido pelo ex-governador, e da campanha do candidato.

No fim de semana, Garotinho declarou ter arrecadado um total de 2.287.536,12 reais em dois meses de corrida eleitoral, sendo 70% (1.837.536,12) repassados pelo Diretório Regional do PR em forma de doações ocultas. O Diretório Regional conseguiu 11.585.894,94 reais no mesmo período.

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A generosidade financeira de fornecedores da prefeitura de Campos com Garotinho chama atenção. A Imbé Engenharia é o caso mais emblemático. A empresa teve o valor de um contrato com a administração municipal elevado para 23.519.044,81 reais em 22 de julho deste ano. No dia 27 de agosto, fez uma doação oficial para o PR de 500.000 reais. O principal sócio da firma é Paulo Cesar Paes de Freitas, notório pela atuação em obras no Departamento de Estradas e Rodagem (DER) durante o governo Garotinho.

Como pessoa física, um importante contribuidor do partido de Garotinho foi o empresário José Geraldo Gomes Manhães, sócio da Construsan e acusado na Justiça de fraude em licitações. Manhães deu 650.000 reais para a Direção Nacional da sigla, transferidos posteriormente para o diretório regional. Garotinho sabe que Manhães responde a processo na 3a. Vara Criminal de Campos por crimes cometidos na gestão do ex-prefeito Alexandre Mocaiber, considerado um adversário do ex-governador. Isso não impediu, no entanto, que a Construsan, em consórcio com a Imbé Engenharia e outra empresa, faturasse mais de 50 milhões de reais desde novembro do ano passado em contratos com a prefeitura de Campos.

Outra doadora enrolada com a Justiça é a EMEC Obras e Serviços. A empresa contribuiu diretamente para Garotinho com 150.000 reais no dia 7 de agosto e com 200.000 reais no dia 31 de julho para o Diretório do PR. A firma é contratada atualmente pela administração Rosinha para manutenção de parques e jardins da cidade. Só um contrato, assinado em abril de 2011, estipulava o pagamento de 14,6 milhões de reais pela prefeitura. A Emec prestou o mesmo serviço para a prefeitura de Presidente Kennedy e acabou envolvida em processo por improbidade administrativa no Tribunal de Justiça do Espírito Santo. O caso foi investigado pela operação Lee Oswald, que combateu um esquema de corrupção e crimes em licitações da cidade. Um dos sócios-diretores da Emec chegou a ser preso.

Em agosto, reportagem do site de VEJA revelou que Pezão recebeu contribuições eleitorais de fornecedores da administração estadual pouco depois de conceder aditivos contratuais para esses mesmos doadores. Embora Garotinho critique o PMDB por ter recebido doações de empreiteiras que prestam serviços para o Estado, o ex-governador não recusa contribuição de empresas do tipo. A Carioca Engenharia, que também doou para o PMDB do Rio de Janeiro, já faturou mais de 9 milhões de reais no governo Rosinha e contribuiu com 1 milhão de reais para o Diretório Regional do PR. Procurado, o ex-governador informou, por sua assessoria de imprensa, que os esclarecimentos sobre as doações caberiam ao tesoureiro do PR no Rio de Janeiro, Carlos Carneiro. Nenhum dos dois comentou as contribuições.