Flávio Bolsonaro irá prestar depoimento à PF em inquérito sobre calúnia contra Lula
Oitiva foi marcada por Alexandre de Moraes após corporação indicar dificuldade em agendamento com defesa do senador
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) irá prestar depoimento à Polícia Federal na tarde desta terça-feira no inquérito em que é investigado por suposta calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O ministro Alexandre de Moraes, do STF, marcou a oitiva para as 14h desta terça após a PF informar que não tinha conseguido agendar um horário com a defesa de Flávio.
A investigação foi aberta em abril, a pedido do Ministério da Justiça, a partir de uma publicação de Flávio no X após a prisão do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em janeiro.
“Lula será delatado. É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas”, escreveu o senador na época.
A PF chegou a concluir a investigação e alegou que ficou “claro” que o parlamentar tentou vincular Lula aos crimes listados no texto.
“Fica claro que o Senador afirma que a delação seria feita por Nicolas Maduro, e que, no entendimento do Senador, os crimes pelos quais o Presidente Lula seria delatado estão listados na sequência da postagem”, diz o documento.
A PGR, contudo, defendeu que Flávio fosse ouvido antes da análise sobre uma eventual denúncia, o que foi aceito por Moraes.
Inicialmente, o ministro deu um prazo de 10 dias para a PF realizar o depoimento.
No fim desse período, no entanto, a corporação avisou ao STF que buscou a defesa do senador “desde o primeiro dia”, inclusive com a possibilidade de realizar uma videoconferência, mas relatou que os advogados solicitaram um prazo maior.
Em ofício enviado à PF, a defesa de Flávio afirmou que não houve “descaso”, mas sim uma “incompatibilidade de agendas”, decorrente, “de um lado, do curto intervalo fixado para a realização da diligência e, de outro lado, das atividades desempenhadas pelo Peticionário em sua pré-campanha à Presidência da República”.
Moraes considerou que os advogados do senador não apresentaram “qualquer comprovante da impossibilidade de agendamento no período disponibilizado”.
“Impõe-se, portanto, a designação do ato por este Juízo, a fim de assegurar o regular prosseguimento das investigações”, determinou o ministro, no dia 17.







