Fim da escala 6×1: Boulos diz que Lula e Alcolumbre não têm acordo e que PEC não pode ‘morrer na praia’
Em reunião com movimentos e centrais sindicais, ministro da Secretaria-Geral da Presidência defendeu que texto seja votado antes das eleições
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), declarou nesta sexta-feira, 7, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), ainda não chegaram a um acordo em torno da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim da escala 6×1. A proposta está travada no Congresso e, para continuar tramitando, precisa ser colocada em votação por Alcolumbre.
Após reunião com representantes de movimentos e centrais sindicais, em São Paulo, Boulos afirmou que a proposta não pode “morrer na praia” e fez um apelo para que o texto seja votado antes das eleições de outubro. As próximas duas semanas serão de esforço concentrado no Congresso e, após esse período, as lideranças estarão voltadas ao calendário eleitoral.
“O que defendemos é que seja votado antes da eleição. Essa é uma posição do governo Lula e do conjunto dos movimentos. A pessoa, o deputado ou o senador pode ser contra ou a favor, mas o importante é que se vote. E que o eleitor possa saber a posição de cada um e se posicionar na urna”, disse Boulos.
O ministro voltou a afirmar que o fim da escala de trabalho 6×1 é aprovado por mais de 70% da população brasileira — segundo Datafolha de março — e que o texto não pode correr o risco de ser deturpado.
“Não se pode empurrar isso com a barriga, sob o risco de depois ser reformada, ser deteriorada após as eleições (… ) O presidente Lula mandou um projeto de lei com pedido de urgência, fez três pronunciamentos à nação defendendo a redução. E isso não pode morrer na praia”, disse. “Não dá para algumas pessoas da política brasileira fingirem que a PEC do fim da 6×1 não existe. Isso é um escárnio, um deboche com a classe trabalhadora”, prosseguiu.
Impasse
O governo Lula encerrou o primeiro semestre com agendas prioritárias, como é o caso da PEC da 6×1, na gaveta do Legislativo e sem perspectiva de irem à votação antes das eleições. Os motivos incluem a conhecida deficiência na articulação do Executivo, o mau momento de Lula com os chefes da Câmara e do Senado, e a própria contaminação do ambiente pelo calendário eleitoral.
A falta de pressa de Alcolumbre — em crise com Lula desde a rejeição de Jorge Messias para uma vaga no Supremo — é evidente. O fim da escala 6×1 passou pela Câmara em maio, assim como a regulação dos minerais críticos, e está parada no Senado desde então. No entanto, o governo aposta que, mesmo que a proposta não avance, ela pode ter impacto eleitoral positivo. A PEC da escala 6×1 é o exemplo mais evidente. No entendimento do Planalto, a proposta consolidou o governo ao lado de uma reivindicação popular (71% apoiam a medida, segundo o Datafolha), o que será explorado na campanha.







