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‘Fascista, dissimulado, desesperado’: em Brasília, candidatos batem boca e ignoram propostas

Embate se deu principalmente entre José Roberto Arruda (PR) e o atual governador, Agnelo Queiroz (PT)

Por Marcela Mattos 25 ago 2014, 21h24

O debate entre os candidatos ao governo do Distrito Federal nesta segunda-feira foi marcado pela troca de farpas e pelo bate-boca – e nada de propostas. O embate se deu principalmente entre José Roberto Arruda (PR), que tem sua candidatura contestada nestas eleições pela condenação por improbidade administrativa, e o atual governador, Agnelo Queiroz (PT), que tem sua gestão cercada de denúncias de corrupção e com alto índice de rejeição em decorrência da ineficiência dos serviços públicos. A confusão se repetiu do lado de fora do estúdio, quando uma briga entre militantes deixou a vidraça da sede do SBT Brasília quebrada.

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Ao longo de uma hora e quarenta minutos, o debate realizado pelo SBT, Folha de S. Paulo e UOL teve como assunto principal a condenação de Arruda. O líder nas perquisas de intenção de votos terá a candidatura julagada nesta terça-feira pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “É impressionante o desprezo que você tem com a inteligência do povo. Essa já é a terceira versão que você conta. É golpe comprar deputado daquele jeito, é golpe a polícia entrar na casa oficial do governo e encontrar milhares de reais, é golpe ter envolvimento do Ministério Público”, disse Agnelo após Arruda se dizer vítima de um esquema para tirá-lo do Palácio do Buriti.

Arruda, visivelmente preparado para os ataques, rebateu: “Agnelo, eu sinto que você está desesperado porque seu golpe deu certo e agora você tem oponente para combater cara a cara. Eu vejo você trêmulo e nervoso porque o seu governo foi um desastre. Quando eu vejo você falar disso eu acho que você está olhando no espelho, talvez lembrando da sua amizade com o [Carlinhos] Cachoeira”.

O bate-boca se deu até fora dos microfones: “Sobre o meu projeto… Desculpe, eu fui interrompido por um candidato que está muito nervoso ao meu lado”, ironizou o candidato pelo PR. Agnelo teria criticado Arruda enquanto ele apresentava suas propostas ao governo – a maioria delas de grande impacto popular, como a retomada das obras para o transporte público e melhores condições para a saúde pública.

Sem nomes que representem a renovação da política do DF, também esteve no centro do debate o fato de adversários de Agnelo terem sido aliados ao petista. Agnelo afirmou que se não fosse a parceira com o PT, o senador Rodrigo Rollemberg (PSB) “certamente” não teria chegado ao Congresso Nacional. O candidato Luiz Pitiman (PSDB) também foi envolvido na discussão: “Você também não ficou no governo. E não ficou porque não teve capacidade de ficar. Eu o tirei porque você não tinha capacidade”, disse Agnelo ao ex-secretário de Obras. Como resposta, Pitiman leu publicação do Diário Oficial do DF que mostra que ele pediu demissão, e não foi exonerado pelo petista.

Enquanto os candidatos se dedicaram à baixaria, do lado de fora um pequeno grupo de militantes trocou socos e pontapés e quebrou a vidraça do prédio que abriga o SBT Brasília. Os militantes, na maioria, carregavam bandeiras do PT e do PMDB.

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