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Família de Campos contesta conclusões da Aeronáutica

Para irmão do presidenciável morto, 'Cenipa não está fazendo todas as perícias do caso e não pode ter uma visão global do acidente'

Por Marcela Mattos 16 jan 2015, 11h59

A família do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos contestou o relatório da Aeronáutica sobre o acidente aéreo que matou o então candidato à Presidência e outras seis pessoas em 13 de agosto do ano passado. O documento, que será oficialmente divulgado até fevereiro, foi antecipado nesta sexta-feira pelo jornal O Estado de S. Paulo. Na avaliação do irmão de Campos, Antônio, a conclusão de que houve uma falha humana ainda é “prematura”.

O relatório do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) aponta como causas da tragédia uma sequência de erros do piloto Marcos Martins, entre eles a falta de experiência com o jato Cessna 560 XL e a decisão de “encurtar” o procedimento de aterrissagem na Base de Santos, descumprindo os manuais de pouso.

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​Ainda segundo os investigadores, ao não obedecer as manobras exigidas na aproximação da pista, o piloto cometeu o erro que deflagrou a tragédia. O jato Cessna 560 XL (prefixo PR-AFA), da empresa paulista AF Andrade Empreendimentos e Participações, decolou do Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, às 9h21 do dia 13 de agosto, com destino ao aeroporto de Guarujá (SP). Quando a aeronave se preparava para o pouso, arremeteu devido ao mau tempo. Em seguida, o controle de tráfego aéreo perdeu contato com o jato, que caiu sobre uma área residencial.

Em nota, Antônio disse ser “estranho que se tenha acesso às investigações da Aeronáutica e se divulgue conclusões antes da divulgação pelo órgão competente”. “O Cenipa não está fazendo todas as perícias do caso e não pode ter uma visão global do acidente”, continua.

O Ministério Público e a Polícia Federal também abriram investigações sobre o acidente aéreo. De acordo com Antônio Campos, o procurador Thiago Nobre, que acompanha o caso em Santos, promete a conclusão do inquérito policial e civil sobre o caso até fevereiro – ele ainda aguarda a conclusão de perícias.

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A família de Eduardo Campos designou um perito auxiliar para acompanhar as investigações. Internamente, os parentes do ex-governador de Pernambuco levantam a hipótese de que houve uma falha técnica na turbina – o que contraria parecer da Aeronáutica.

Leia a nota na íntegra:

Com referência a matéria publicada no jornal O Estado de São Paulo, nesta sexta-feira, 16/01/2015, sobre as causas do acidente aéreo que vitimou Eduardo Campos, estando habilitado nos autos como familiar da vítima e advogado, tenho a registrar o seguinte:

1- É estranho que se tenha acesso às investigações da Aeronáutica e se divulgue conclusões antes da divulgação pelo órgão competente.

2- Os laudos da Aeronáutica e do Cenipa (Centro de Prevenção de Acidentes Aéreos) tratam de possibilidades quanto a causa de acidentes e não são conclusivos, conforme é a técnica de tais laudos, primando eles por recomendações quanto a procedimentos de prevenção de acidentes aéreos. O Cenipa não está fazendo todas as perícias do caso e não pode ter uma visão global do acidente.

3- Na data de ontem, 15/01/2015, tive uma audiência com o Procurador da República Thiago Nobre, na cidade de Santos, que prometeu a conclusão, possivelmente, do inquérito policial e civil para fevereiro/2015, pois ainda aguarda a conclusão de perícias e estas poderão ainda não ser definitivas sobre o caso, podendo ter provas complementares. Ele é o Procurador responsável pelo caso, tendo na Polícia Federal o Delegado Rubens Maleiner como a autoridade policial responsável pelo inquérito policial, que ainda não o concluiu.

4- Após a divulgação oficial das conclusões das investigações da Aeronáutica, bem como a conclusão dos inquéritos civil e criminal em curso, iremos nos pronunciar sobre as causas do acidente. Até lá, é prematura a conclusão noticiada, até porque está pendente de conclusão relevantes perícias.

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