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Faixa de pedestres é “invisível” para motoristas em SP

Quem está ao volante costuma prestar atenção nos rostos das pessoas, nos carros e em outros itens da paisagem urbana, informa uma pesquisa

Por Da Redação 8 set 2011, 09h30

Os motoristas de São Paulo não prestam atenção nas faixas de pedestres. Outros elementos da paisagem, como carros, motos e pessoas em calçadas e na rua, tendem a estimular bem mais a visão de quem está ao volante, informa uma pesquisa do laboratório de neuromarketing da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

O estudo foi feito a pedido da agência que criou a campanha da prefeitura para incentivar o respeito aos pedestres. Nesta semana, um vídeo começou a ser divulgado na televisão. Um homem aparece fantasiado de faixa e, ao atravessar a rua, quase é atropelado pelos carros.

Os pesquisadores selecionaram 40 pessoas que dirigem diariamente na capital e mostraram cinco fotos que exibem situações diferentes de pedestres atravessando vias na cidade. As imagens também tinham pequenos textos publicitários. Um aparelho registrou os locais focados pelos olhos dos participantes. Em todas as imagens ─ expostas em uma tela, uma por vez, por dez segundos cada ─, os participantes praticamente não miraram a faixa.

“Percebemos que a faixa não faz parte do dia-a-dia das pessoas, como um ente ativo”, diz Carlos Augusto Costa, engenheiro eletrônico e coordenador do laboratório de neuromarketing da FGV. “Como ninguém tem intimidade com ela, ela não é tão respeitada”.

A pesquisa também revela que as pessoas na rua geralmente chamam a atenção dos motoristas. “Os rostos criam um engajamento emocional”, afirma Costa. “Por isso, há uma recomendação para que se atravesse a rua olhando para o lado de onde vem o carro”. Ele acrescenta que a atitude ajuda a criar uma proximidade com quem está dirigindo.

O presidente da Associação Brasileira de Pedestres, Eduardo José Daros, concorda que os motoristas encaram a faixa como se fosse “invisível”. “É por isso que os veículos respeitam mais as faixas onde há semáforo”, diz Daros. “Onde não tem semáforo, geralmente desobedecem”. No entanto, para ele, a tendência é de que a obediência à área de travessia aumente com a intensificação da fiscalização do desrespeito aos pedestres, iniciada em julho pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) na região central.

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(Com Agência Estado)

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