Fadiga do eleitor abre espaço para candidatos ‘antissistema’, diz professor da FGV
Para Marco Antonio Teixeira, desgaste com política tradicional explica a ascensão de perfis que misturam política, influência digital e negócios próprios
https://www.youtube.com/watch?v=ytRvGFLPs08
A insatisfação com a política tradicional pode estar abrindo espaço para uma nova geração de candidatos de perfil controverso e classificados como “antissistema”. No programa Ponto de Vista, de VEJA, o cientista político e professor da FGV Marco Antonio Teixeira afirmou que a profusão de nomes polêmicos na disputa eleitoral pode provocar fadiga, mas também é consequência de um eleitor que já está “fadigado” dos candidatos tradicionais. (Este texto é um trecho do vídeo acima)
A avaliação surgiu após Teixeira ser questionado sobre candidaturas como as de Pablo Marçal (PRTB), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante), conhecidos por propostas e comportamentos controversos entre os nomes que se colocam na disputa. Para Teixeira, o fenômeno não pode ser analisado apenas como uma possível fonte de cansaço para o eleitor.
“Pode até causar uma certa fadiga”, afirmou. Na sequência, porém, o professor destacou que “o eleitor está fadigado também” em relação aos candidatos mais tradicionais. Segundo ele, esses novos nomes acabam ocupando uma lacuna provocada pelo “descrédito da política”.
É nesse contexto, explicou Teixeira, que candidatos com esse perfil passam a ser chamados de “antissistema”. Para o professor, eles se beneficiam justamente do espaço deixado pela perda de confiança na política convencional.
Ao comentar especificamente o caso de Pablo Marçal — acusado de envolvimento em um calote de venda de lotes em Goiás –, Teixeira destacou o caráter polêmico de sua trajetória política. O professor citou episódios envolvendo o candidato, entre eles o resgate de um grupo pelo Corpo de Bombeiros após uma subida à Serra da Mantiqueira, além de denúncias relacionadas a negócios.
Teixeira também chamou atenção para um fenômeno que considera característico desse tipo de candidatura: a presença de “influencers” que misturam a atividade política com os próprios negócios. Segundo ele, esse perfil faz com que o candidato esteja constantemente submetido à cobrança por algum tipo de postura.
O professor também lembrou a campanha de Marçal à Prefeitura de São Paulo, em 2024, e as reações provocadas por sua atuação durante a eleição municipal. Entre os episódios mencionados por Teixeira estão a agressão de José Luiz Datena contra Marçal e os embates públicos com Ricardo Nunes (MDB), muitas vezes marcados, segundo ele, por discussões aos gritos.
Para Teixeira, esse ambiente de confronto não deveria representar o padrão da atividade política. “Política não deveria ser isso”, afirmou. Na avaliação do professor, a política deveria estar associada ao diálogo, à construção, à integridade, à transparência e à boa representação.
O avanço de candidaturas consideradas antissistema, portanto, também seria consequência das falhas da própria política tradicional. Como resumiu Teixeira no Ponto de Vista, “o espaço está sendo ocupado porque a chamada política tradicional”, que deveria oferecer diálogo e construção, “também está falhando”.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.







