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Fachin nega crise e diz que não se pode demonizar a política

Relator da Lava Jato e da delação da JBS deu as declarações em uma conferência no STF. Ele entende que é a hora da 'redenção constitucional brasileira'

Por Da redação - Atualizado em 23 jun 2017, 15h33 - Publicado em 23 jun 2017, 14h20

Relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Edson Fachin disse na manhã desta sexta-feira que “não há que se falar” em crise institucional no país. Na avaliação do ministro – também responsável pela relatoria da delação da JBS, que atingiu o presidente Michel Temer e o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) -, o sistema penal punitivo não será a “resposta de todos os males” e nem se pode “demonizar a política”. Fachin deu as declarações na abertura da conferência “Fraternidade e Humanismo – Novos paradigmas para o direito”, no STF.

“Falar de Constituição corresponde também a sustentar que não se pode demonizar a política. Nos dias correntes, a propósito, permito-me trazer a lição do eminente ministro Cezar Peluso ex-presidente do STF, a quem muito admiro, segundo o qual nenhum juiz verdadeiramente digno de sua vocação condena alguém por ódio”, disse.

Ao citar Peluso mais uma vez, o relator da Lava Jato no Supremo afirmou que “nada mais constrange o magistrado do que ter de, infelizmente, condenar um réu em matéria penal”.

Ontem, o STF formou maioria para manter Edson Fachin como relator do caso JBS, em um julgamento que será retomado na próxima quarta-feira. Sem fazer referência direta à investigação, o ministro declarou que as instituições estão funcionando no país.

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“O sistema está a funcionar, as instituições estão a funcionar e, portanto, não há que se falar em crise institucional. Pode orgulhar-se o Brasil da democracia que tem e que exercita. Cumpre quiçá ir além: avançar na redenção constitucional brasileira – e nela não está em primeiro plano a atuação hipertrofiada do magistrado constitucional, embora deva, quando chamado, responder com firmeza e serenidade. Em primeiro plano, está a espacialidade da política, dos representantes da sociedade e a própria sociedade”, ponderou Fachin.

Ética ‘urgente’ na política

No discurso de hoje, o ministro disse que é “urgente” incluir liberdade, ética e desenvolvimento na “grande política”. “É preciso ter forças que unam as pessoas e nada mais certo que ter valores fundamentais em torno dos quais a sociedade há de se manter minimamente coesa. É hora da redenção constitucional brasileira, é mais que urgente o tempo de edificar no espaço da grande política o tripé mínimo para a liberdade, a ética e o desenvolvimento”, afirmou.

“Como bem se assentou à época na terra de Nelson Mandela, ‘para que não se esqueça e para que nunca mais aconteça'”, completou Fachin.

Ele ressaltou a importância de “subirem ao palco” ideias, ideais e “instrumentos democráticos de reencontro do Estado com a sociedade e do País com a sua própria história”.

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(com Estadão Conteúdo)

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