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Expedição VEJA: Milagre dos peixes

Em Sorriso (MT), terra da soja, a decisão de diversificar investimentos criou um polo piscicultor que cresceu extraordinariamente. E agora se prepara para alçar novos voos

Por Por Cecília Ritto e Tatiana Gianini, de Sorriso (MT)
17 Maio 2014, 16h54

Ela já era a terra da soja. Agora, está prestes a virar também a terra do tambaqui – e do pintado e do pirarucu. A cidade de Sorriso, em Mato Grosso, passou a investir na piscicultura no começo dos anos 2000 e, em menos de uma década, foi recompensada pelo milagre da multiplicação. Hoje, responde por 10 000 toneladas de pescado por ano – um quinto da produção de Rondônia, o maior criador de peixes em viveiro do país. A cidade é a maior produtora individual de soja do mundo (colhe 2 milhões de toneladas do grão por ano) e muitos de seus novos piscicultores são também fazendeiros. Acostumados aos altos custos de escoamento da safra, toda transportada por rodovias e sujeita a perdas de até 40%, eles enxergaram na nova atividade uma forma segura de diversificar os investimentos. Ganha-se com 1 hectare de criação de peixes o mesmo que em 100 hectares de soja.

A produtividade é, em parte, resultado de uma parceria com a Embrapa. Por meio da coleta e análise do DNA de 5 000 peixes da região amazônica, o instituto conseguiu melhorar a qualidade genética da produção de modo a obter resultados mais eficientes na engorda. Hoje, piscicultores de Sorriso são capazes de fechar um ciclo de cultivo em nove meses, um a menos do que no restante do país. A maior parte da mercadoria ainda vai para regiões próximas. Mas, neste mês, a cidade inaugurará o maior frigorífico de peixes em viveiro do Brasil – será o primeiro passo para o início das exportações.​

Sorriso foi a última parada da Expedição VEJA na semana passada. O ônibus que percorre o país para mostrar exemplos de um Brasil empreendedor, que supera adversidades e compete com os melhores do mundo viajou nas duas primeiras semanas 4 200 quilômetros. Na última semana, foram 2 500 quilômetros desde Não-Me-Toque. A cidade de 16 000 habitantes no Rio Grande do Sul é o exemplo mais bem­-acabado do espírito da expedição.

O vendedor Alvonir Wentz, estrela de um comercial na internet da empresa Stara, de Não-Me-Toque, a pioneira no Brasil na fabricação de máquinas
agrícolas de alta precisão
O vendedor Alvonir Wentz, estrela de um comercial na internet da empresa Stara, de Não-Me-Toque, a pioneira no Brasil na fabricação de máquinas
agrícolas de alta precisão (VEJA)
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Não-Me-Toque conquistou seu lugar no mapa graças à agricultura de precisão. Sem dispor das vastas áreas do Cen­tro-Oeste brasileiro, como no caso de Sorriso, a região tinha necessidade de aumentar sua produtividade para manter-se competitiva. Para isso, precisava de equipamentos de ponta que, além do alto custo de compra e manutenção, chegavam com manuais de operação indecifráveis para a maior parte dos agricultores locais. “Quando um computador de bordo quebrava, por exemplo, era um deus nos acuda. Com a máquina parada, as lagartas destruíam a plantação”, conta Gilson Trennepohl, diretor-presidente da Stara, a pioneira na produção do equipamento nacional. Em 2007, a companhia comprou a australiana Computronics e passou a fabricar máquinas no Brasil, com a ajuda de uma equipe de engenheiros da computação e mecatrônicos. Seu faturamento saltou de 60 milhões de reais, em 2006, para 1 bilhão de reais. Hoje, ela exporta para quinze países. Vêm da indústria 71% da arrecadação de impostos de Não-Me-Toque, que há quinze anos tinha 60% de sua base na agricultura.

Essa transformação de município rural em polo industrial se repetiu na terceira cidade visitada entre Não-Me-Toque e Sorriso: Três Lagoas (MS). Desde 2009, quando atraiu a instalação da maior fábrica de celulose do mundo graças ao seu investimento em infraestrutura, a cidade se modificou. Já se instalaram por lá sessenta fábricas, que fizeram as exportações saltar de 7,6 milhões de dólares para 1,1 bilhão de dólares em uma década. A Expedição VEJA percorrerá o país por outras duas semanas. Neste momento, ela está na Região Centro-Oeste e segue em direção ao Nordeste.

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