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Executivos da Vale sabiam de risco em barragens, diz Wall Street Journal

Mensagem enviada a nomes do alto escalão denunciou que as barragens estavam 'no seu limite'

Por Jennifer Ann Thomas - 5 nov 2019, 14h28

O jornal norte-americano The Wall Street Journal revelou nesta terça-feira, 5, data que marca os quatro anos do rompimento da barragem de Fundão em Mariana, da mineradora Samarco, que executivos da mineradora Vale receberam um e-mail anônimo com advertências sobre a situação das barragens em Brumadinho. No dia 25 de janeiro deste ano, o rompimento da barragem 1 da Mina do Córrego do Feijão, na cidade mineira, resultou na morte de mais de 270 pessoas. 

Segundo o WSJ, a mensagem foi enviada no dia 9 de janeiro deste ano a Fabio Schvartsman, então CEO da Vale, ao atual executivo-chefe, Eduardo Bartolomeo, ao diretor financeiro, Luciano Siani Pires, e a outros nomes do alto escalão. A reportagem ainda destacou que a reação de Schvartsman foi tentar descobrir a identidade do autor, a quem chamou de “um câncer”, e que queria “olhar olho no olho” do funcionário. 

O jornal afirmou ter tido acesso a um relatório feito pela Polícia Federal e promotores. De acordo com o documento, o texto do e-mail dizia que as barragens da companhia estavam “em seu limite”. Intitulado “A Verdade”, a mensagem foi parcialmente reproduzida no documento policial.

De acordo com o resumo, a barragem específica de Brumadinho não foi mencionada. “Nós estamos enfrentando grandes desafios pela frente, nossas operações não têm o nível mínimo adequado de investimento, estamos com falta de pessoal nas áreas de operação, manutenção e engenharia e eles são mal remunerados… O equipamento está quebrando, as barragens estão no seu limite”, afirmou a pessoa na mensagem.

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