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Executivos da Andrade Gutierrez ficam em silêncio em depoimento a Moro

Três executivos ligados à empresa Andrade Gutierrez permaneceram em silêncio nesta sexta-feira em depoimentos ao juiz Sergio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato em 1ª instância. O presidente afastado da construtora Otávio Marques de Azevedo, Elton Negrão, que ocupava a cúpula da AG Industrial, e Paulo Dalmazzo, ex-presidente de Óleo e Gás da companhia, decidiram não responder a perguntas formuladas pelo juiz ou pelo Ministério Público.

Em um rápido instante de descontração, depois que Sergio Moro chamou o executivo Otávio Marques de Azevedo e Otávio “Junior”, o empreiteiro fez a correção de seu nome e tentou brincar com a possibilidade de a confusão poder ter ocorrido por uma suposta comparação com o cantor romântico Fábio Jr. “Não tenho Junior. Talvez pelo meu pai ser Fábio, aí botaram Fábio Jr.”, riu. E Moro emendou: “Eu ia por a culpa no Ministério Público. Mas foi o juiz aqui [que errou]”.

Otávio Marques de Azevedo e outras doze pessoas ligadas à Andrade Gutierrez são réus na Lava Jato. De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público, o Grupo Andrade Gutierrez pagou propina a dirigentes da Petrobras em obras e contratos na Refinaria Gabriel Passos, em Betim (MG), no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), na Refinaria Landulpho Alves, em São Francisco do Conde (BA), na Refinaria de Paulínia (SP), no Gasoduto Urucu-Manaus, no Centro de Pesquisas (Cenpes) e no Centro Integrado de Processamento de Dados (CIPD), no Rio de Janeiro, no Gasoduto Gasduc III (RJ) e no Terminal de Regaseificação da Bahia.

A força-tarefa de procuradores que atuam nas investigações do esquema do petrolão conseguiu mapear 243 milhões de reais desviados pela Andrade Gutierrez entre 2007 e 2010 em 106 atos de corrupção ativa, 61 de corrupção passiva, 62 lavagens de dinheiro.