Ex-rei Miguel quer que Romênia recupere ‘dignidade e respeito’

Por Daniel Mihailescu - 25 out 2011, 09h16

O ex-rei Miguel da Romênia, último sobrevivente dos chefes de Estado da Segunda Guerra Mundial, pediu em um discurso diante do Parlamento nesta terça-feira que a classe econômica trabalhe para que seu país recupere “dignidade e respeito” no cenário internacional.

“Unidos e junto com nossos vizinhos e irmãos, devemos manter o esforço para voltarmos a ser dignos e respeitados”, declarou Miguel I diante das duas câmaras do Parlamento em um discurso pelo seu 90º aniversário.

“Depois da liberdade e da democracia, os valores mais importantes são a identidade e a dignidade. As elites romenas têm aqui uma grande responsabilidade”, ressaltou.

O ex-soberano, que precisou abdicar em dezembro de 1947 e foi obrigado a viver no exílio até 1992, elogiou os progressos realizados pela Romênia desde a queda do regime comunista, em 1989, citando, entre outras coisas, “a democracia, as liberdades e um princípio de prosperidade”.

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Mas Miguel I criticou os dirigentes atuais, repreendendo a tentação de “desdenhar da ética, personalizar o poder e ignorar o papel primordial das instituições do Estado”.

“Chegou o momento de romper definitivamente com os maus costumes do passado. A demagogia, a ocultação, o egoísmo primitivo e o desejo de se agarrar ao poder já não têm mais espaço nas instituições romenas de 2011, lembram muito os anos anteriores a 1989”, lançou.

O discurso do ex-soberano recebeu aplausos durante vários minutos dos parlamentares presentes, que ficaram de pé na grande sala do Palácio do Parlamento, um gigantesco edifício construído nos anos 1980 pelo ex-ditador Nicolae Ceausescu.

O governo estava representado apenas pelo ministro da Justiça, Catalis Predoiu.

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O presidente Traian Basescu, que não esconde sua hostilidade em relação ao ex-rei, e o primeiro-ministro, Emil Boc, preferiram assistir às cerimônias do “dia do Exército”, celebradas nesta terça-feira.

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