Ex-policial Bola é absolvido em Minas Gerais

Acusado de matar e ocultar o corpo da jovem Eliza Samudio conseguiu ser inocentado em julgamento pela morte de um ex-carcereiro, ocorrido em 2000. Goleiro Bruno e demais réus vão a júri popular este mês, em Contagem

Por Da Redação - 7 nov 2012, 16h36

Acusado de ser o responsável pela execução e pela ocultação do cadáver da jovem Eliza Samudio, em Minas Gerais, o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, conseguiu, na tarde desta quarta-feira, ser inocentado no júri referente a outro homicídio. O julgamento no fórum de Contagem, na região metropolitana de Minas Gerais, livrou Bola da culpa pelo assassinato do ex-carcereiro da Polícia Civil Rogério Martins Novelo, ocorrido em Maio de 2000, no Bairro São Joaquim, naquela cidade.

A denúncia do Ministério Público (MP) afirmava que a vítima foi morta por encomenda. As investigações da Polícia Civil concluíram que Bola o ex-carcereiro não se conheciam. Uma das irmãs de Novelo testemunhou o momento que o homem armado se aproximou e atirou. Dez anos depois do assassinato, ela reconheceu Bola como o autor dos disparos, depois de ver imagens dele como um dos envolvidos na morte de Eliza.

O veredicto foi anunciado às 17h desta quarta-feira, por 4 votos a 2. A deliberação dos sete jurados foi de trinta minutos. Algemado, Bola foi levado ao plenário para ouvir a sentença da juíza Marixa Fabiane Lopes Rodrigues, que presidiu a sessão. O réu chorou ao ouvir a decisão. Abraçado ao grupo de advogados enquanto aguardava a pronúncia, Bola levantou as mãos e agradeceu a Deus. O advogado Zanone Manuel de Oliveira, que também atuou no Caso Bruno, festejou a decisão. “Não fizemos justiça a qualquer custo, conseguimos mostrar que as provas eram fracas e débeis. A partir de hoje é vida nova”, disse o advogado.

Como aguarda o julgamento pela morte de Eliza Samudio, Bola continuará preso. A mulher dele, e os dois filhos acompanharam as sessões e disseram que a Justiça foi feita.

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O promotor Henry Wagner Vasconcelos afirmou que a promotoria vai apelar da decisão no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). “No meu entendimento, a decisão dos jurados foi contrária às provas dos autos no que diz respeito a autoria dos réus”. Vasconcelos, que também atua no julgamento dos cinco réus do processo de morte de Eliza – o goleiro Bruno Fernandes de Souza, Bola, Luiz Henrique Romão, o Macarrão, Dayanne do Santos, e Fernanda Gomes de Castro – disse que a decisão desta tarde não trará nenhuma repercussão para o julgamento que começa no dia 19. O MP tem cinco dias para recorrer.

O carcereiro foi morto numa noite do dia 23 de maio de 2000 com um tiro nas costas. Ele estava dentro de uma Kombi, em frente à empresa da família, quando um homem, usando uma roupa semelhante à farda da Polícia Militar de Minas Gerais se aproximou do veículo atirando. A vítima morreu de hemorragia, depois de ter o pulmão perfurado por uma bala.

Debate – Às 9h45, o promotor Vasconcelos começou sua apresentação. Para desconstruir as argumentações da defesa, ele explorou as provas do crime levantadas nas investigações da Polícia Civil, as falhas no boletim de ocorrência registrado pela Polícia Militar no dia da execução de Novelo e os detalhes do depoimento da irmã da vítima. Renata Novelo não compareceu ao júri para testemunhar, mas foi ouvida por carta precatória em audiências de instrução. Ela afirmou ser Bola o responsável pela morte de seu irmão e disse ter reconhecido o réu dez anos depois, ao ver imagens do caso Eliza Samudio.

Vasconcelos rebateu as alegações dos advogados de Bola, de que uma pistola semiautomática 765 usada para tirar a vida do ex-carcereiro seria uma arma de baixo poder de fogo, citando um momento histórico – o suicídio de Adolf Hitler – e a ficção, lembrando que o agente espião James Bond, o 007, sempre é visto com uma arma semelhante em ação.

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Às 11h50 foi a vez de os advogados de defesa se apresentarem. O grupo explorou a falta de provas e de testemunhas ligando Marcos Aparecido ao crime. E todo o tempo afirmaram que o réu é vítima de perseguição do delegado Edson Moreira, ex-chefe do Departamento de Investigação de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP) e responsável pela investigação da morte de Eliza Samudio.

Irônicos, os advogados chamaram o promotor Henry Vasconcelos de Harry Potter, numa referência à estratégia que compararam a “bruxaria”. “Nosso excelentíssimo promotor é igual ao Harry Potter. Vive num mundo de fantasia, descobriu inúmeras informações sobre um crime que sequer teve uma investigação decente”.

Nos três dias de julgamento foram ouvidas seis testemunhas. Entre elas, o delegado Edson Moreira, o policial militar que registrou o BO sobre a morte de Rogério Novelo, um agente penitenciário, um amigo de infância da vitima, uma ex-namorada e um ex-funcionário.

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