Ex-juiz, Sergio Moro ataca a Justiça para defender Jair Bolsonaro gerado por IA
Realinhado ao bolsonarismo após romper com o ex-presidente em 2020, senador critica decisão de Moraes: 'ministro da execução penal'
Conhecido nacionalmente pela atuação como juiz federal durante a Operação Lava Jato, o senador Sergio Moro (PL-PR) abriu fogo contra a Justiça para defender o ex-presidente Jair Bolsonaro — ou, mais especificamente, a versão sintética do capitão gerada por inteligência artificial.
“Não pode entrevistas, rede social, cartas, vídeos e agora também não pode vídeo de IA com a imagem e voz de Jair Bolsonaro”, publicou Moro nas redes sociais na noite de quarta-feira, 29. O ex-juiz se refere ao deepfake do ex-presidente que foi produzido pelo PL e exibido na convenção nacional do partido, em São Paulo, no último sábado, 25.
No vídeo, o falso Jair Bolsonaro inicia a fala se identificando como uma produção de IA, afirmando estar “preso e calado por uma decisão injusta e arbitrária” — em seguida, a simulação do ex-mandatário declara apoio à candidatura presidencial do filho Flávio Bolsonaro (PL-RJ), afirmando que “o futuro é Flávio presidente”.
Menos de uma semana após sua exibição, o vídeo tornou-se alvo de uma bateria de ações movidas pelo PT na Justiça Eleitoral e no Supremo Tribunal Federal. Os processos argumentam que, além de violar as regras do Tribunal Superior Eleitoral contra deepfakes na campanha, a transmissão quebra as medidas cautelares que proíbem Jair Bolsonaro, preso e condenado por tentativa de golpe de Estado, de se manifestar publicamente por qualquer canal.
Na terça-feira, 28, o ministro Alexandre de Moraes, relator do julgamento do golpe no STF, ordenou que os advogados de Jair Bolsonaro expliquem a produção do vídeo gerado por IA em até 48 horas — o prazo acaba nesta quinta-feira, 30. Em resposta, Moro chamou o magistrado de “ministro da execução penal”.
Ex-desafeto de Bolsonaro, Moro contesta regras do TSE sobre IA na campanha
Em abril de 2020, Sergio Moro rompeu com o governo de Jair Bolsonaro, que integrava como ministro da Justiça, afirmando ter provas incontestáveis de tentativa de interferência do então presidente na Polícia Federal. Nos últimos anos, porém, o ex-juiz se reaproximou do bolsonarismo e, em 2026, lidera a disputa pelo governo do Paraná com apoio de Flávio Bolsonaro.
Ignorando os atritos com o ex-presidente de carne e osso, Moro sai em defesa do “Bolsonaro de IA” contestando regras explícitas da Justiça Eleitoral sobre o uso de inteligência artificial nas campanhas. Em 2024, o Tribunal Superior Eleitoral baixou uma resolução que proíbe expressamente o uso de deepfakes de pessoas reais, vivas ou mortas, “para prejudicar ou favorecer candidatura, ainda que mediante autorização” do indivíduo representado.







