Ex-governador de MT transferiu ‘dinheiro público para o patrimônio privado da família’, diz PF
Esquema alvo de operação da PF teria utilizado 'múltiplas camadas' de fundos de investimento e empresas para disfarçar rastro dos recursos
A Polícia Federal (PF) afirma que o ex-governador do Mato Grosso Mauro Mendes utilizou um acordo do estado com a Oi para transferir recursos para empresas de sua família.
Mendes teria utilizado uma “engenharia financeira”, por meio de uma sequência de fundos e empresas, para viabilizar que os valores chegassem a empresas controladas por seus filhos.
O esquema foi alvo nesta quinta-feira da Operação Heritage, da Polícia Federal, que cumpriu 25 mandados de busca e apreensão no Mato Grosso, em São Paulo, em Rondônia e no Ceará.
Mendes não foi alvo de buscas, mas teve os sigilos bancário e fiscal quebrados e os bens bloqueados, até o valor de 308 milhões de reais, que seria o valor da fraude.
De acordo com o ministro Flávio Dino, do STF, que autorizou a operação, o esquema “teria viabilizado a transferência do dinheiro público para o patrimônio privado da família do ex-governador, sob a aparência de uma transação societária lícita”.
A Oi tinha um crédito de 389 milhões de reais a receber do governo estadual, devido às cobranças tributárias que foram consideradas indevidas, mas cedeu o direito a um escritório de advocacia, em troca do pagamento de 80 milhões.
Esse escritório, então, repassou seus direitos a fundos de investimento.
Do total, 27 milhões de reais foram parar em um fundo que comprou participações de uma empresa controlada pelos filhos do ex-governador.
Já 33 milhões foram para outro fundo, que tinha como cotistas tanto familiares de Mendes quanto outros suspeitos de integrar o esquema.
“Segundo a linha investigativa apresentada, a operacionalização ocorrida por meio da utilização sucessiva de fundos de investimento e de estruturas financeiras interpostas, organizadas em múltiplas camadas, com a finalidade de pulverizar os fluxos financeiros, fragmentar a cadeia de titularidade dos ativos, dificultar a identificação da origem e da destinação dos recursos e conferir aparente licitude às operações realizadas”, afirmou Dino.







