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Ex-chefe de gabinete da Secretaria de Finanças diz que recebeu propina de fiscais

Paula Sayuri Nagamati, que já foi exonerada da administração municipal, afirmou ter recebido 40.000 reais dos auditores investigados

Por Felipe Frazão 19 dez 2013, 19h24

A ex-chefe de gabinete da Secretaria Municipal de Finanças de São Paulo, Paula Sayuri Nagamati, admitiu nesta quinta-feira ter recebido pagamento de 40.000 reais em propina de auditores fiscais investigados pelo Ministério Público Estadual no esquema de fraude no recolhimento do Imposto Sobre Serviços (ISS).

Paula negou, porém, ter fraudado o recolhimento do tributo em troca de dinheiro de propina das empresas, que ganhavam descontos de até 50% no ISS. Ela é servidora de carreira, mas já foi exonerada de cargo de confiança.

Segundo o promotor Roberto Bodini, que investiga o caso, Paula disse que recebia 10.000 reais “três ou quatro vezes” dos auditores acusados de operar o esquema: Luis Alexandre de Magalhães, Carlos Augusto di Lallo Leite do Amaral, Eduardo Horle Barcellos e Ronilson Bezerra Rodrigues, ex-subsecretário da Receita municipal. Os quatro foram presos em outubro, mas já foram soltos.

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O promotor afirmou que Paula analisou a cobrança do ISS de diversos empreendimentos enquanto trabalhou com Magalhães e Lallo no setor de concessão do Habite-se para o ramo imobiliário. Os processos serão analisados, já que ela alega não ter dado desconto no ISS para empresas em troca de propina – a forma de operação da quadrilha.

Ela disse ter trabalhado de forma sobrecarregada por apenas três semanas na sala da propina, indicada por Ronilson, e que por isso recebia dinheiro. O ex-subsecretário dizia que Paula tinha uma dívida de “gratidão e lealdade” com ele e queria que ela vigiasse como Magalhães e Lallo trabalhavam e se estavam recebendo dinheiro a mais dentro da prefeitura. Magalhães e di Lallo, segundo o depoimento de Paula, não deixavam que ela permanecesse por muito tempo dentro da sala no Edifício Andraus por desconfiança de que ela fosse “os olhos de Ronilson”. Ela também reclamou que ambos passavam muitas tarefas para ela.

Segundo a versão da auditora, foi Ronilson quem a indicou depois para a chefia de gabinete do secretário de Finanças. O patrimônio de Paula também está sob análise, mas ainda não foram encontrados indícios de enriquecimento ilícito, de acordo com o Ministério Público.

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