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Ex-chefe da Polícia Civil é indiciado por crime contra a administração

Allan Turnowski, que pediu demissão na terça-feira, é acusado de alertar um policial sobre investigações da Polícia Federal

Por Cecília Ritto - 17 fev 2011, 19h14

O ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro Allan Turnowski foi indiciado nesta quinta-feira por crime contra a administração pública. Turnowski está enquadrado no artigo 325 do Código Penal, que pune com detenção de seis meses a dois anos o crime de “revelar fato de que tem ciência em razão do cargo e que deva permanecer em segredo, ou facilitar-lhe a revelação”. No indiciamento, consta como agravante que o vazamento de informação resultou em dano à Administração Pública. O ex-chefe da Polícia pediui demissão na terça-feira, quatro dias depois do início da Operação Guilhotina.

A informação de que o ex-chefe da Polícia teria alertado um policial sobre investigações da Polícia Federal foi divulgada logo após sua demissão, e negada veementemente por ele. Em entrevista, Turnowski demonstrou surpresa. “Como eu poderia falar de alguma coisa que eu não tinha conhecimento? Eu não sabia da operação. Como vazar o que não sei?”, disse. O policial alertado seria o inspetor Christiano Gaspar Fernandes, apontado pela polícia como chefe, junto com o pai, de uma milícia que explora serviços na região de Ramos, na zona norte do Rio.

Na saída da sede da Polícia Federal, onde prestou depoimento, Allan Turnowski voltou a se dizer inocente, e “massacrado como se fosse o maior vilão da Polícia Civil”. “Fui indiicado antes que alguém da secretaria de Segurança dissesse que eu sabia da operação. Deveriam ter perguntado ao secretário (José Mariano Beltrame). “Eu liguei para ele durante a audiência, e ele confirmou que não tinha falado comigo sobre a operação”.

Apesar de muito nervoso, o ex-chefe da Polícia Civil disse ter certeza de que o que está acontecendo “não passa do primeiro crivo do Ministério Público e da Justiça.” Segundo Turnowski, ele realmente falou com o inspetor Christiano Fernandes (a conversa foi gravada), mas a respeito de um preso, e a pedido de Beltrame. “Eu disse que a nossa corregedoria estava de olho nele. Falei para que não houvesse falha e para que ele procedesse dentro da lei.”

A situação de Allan Turnowski complicou-se progressivamente, com a divulgação de depoimentos que o acusam de receber uma espécie de “mensalão” de quadrilhas. Seu afastamento aconteceu na esteira da Operação Guilhotina, da PF, iniciada na última sexta-feira e que teve como alvo policiais que se valiam de sua proximidade com as decisões do estado para vender informações a traficantes, dar cobertura à ação de milicianos e revender a quadrilhas armas e drogas recolhidas pela polícia. Foram presas mais 30 pessoas.

A investigação da Polícia Federal identificou quatro grupos de policiais que atuavam explorando o chamado “espólio de guerra” – armas, drogas, dinheiro e bens apreendidos em operações policiais. Além de armas, eles vendiam informações sobre as próximas operações para traficantes. Facilitavam, assim, a fuga dos bandidos.

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