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Ex-chefe da Polícia Civil do Rio critica delegado à frente de caso de estupro

Martha Rocha, hoje deputada estadual, condena postura de colocar em dúvida se crime de fato existiu

A deputada estadual Martha Rocha, presidente da Comissão Estadual de Segurança Pública e Assuntos de Polícia da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, criticou as declarações do delegado Alessandro Thiers, um dos responsáveis pela investigação do estupro coletivo da jovem C.B., de 16 anos, no último sábado (dia 20), no Morro da Barão, no Rio de Janeiro. Thiers colocou em xeque a versão apresentada pela menina de que foi estuprada por 33 homens e declarou na sexta-feira, em entrevista coletiva, “que seria leviano comprar a ideia de estupro coletivo” enquanto o caso não estiver “esclarecido”.

Martha Rocha, que já foi chefe da Polícia Civil do Estado do Rio, afirmou neste sábado: “Quando estamos diante de uma barbárie dessa e o delegado diz que ‘está investigando se houve consentimento e que a polícia não pode ser leviana’, entendemos porque tantas mulheres deixam de ir às delegacias denunciar casos de abuso sexual e violência”. Ela defendeu que a investigação seja conduzida pela Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima, com apoio da Delegacia da Mulher.

Thiers, que é o titular da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática, comanda o inquérito de forma conjunta com a Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima. Na avaliação de Martha Rocha, Thiers deveria investigar a divulgação do vídeo do ato criminoso e identificar os seus autores, e não o estupro em si.

A deputada defendeu a entrada da Delegacia da Mulher no caso, apontando a experiência de 30 anos da unidade em investigar casos de agressão como esse.

A advogada Eloísa Samy, que representa a família da adolescente, disse que vai pedir o afastamento do delegado do caso.

(Com agências de notícias)