‘Eu não sou sabor direita, sou direita raiz’, diz Caiado
Presidenciável muda rota de campanha para conquistar eleitores de Flávio Bolsonaro e ir ao segundo turno contra Lula
O ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), se afasta cada vez mais da ideia de centro buscada por seu partido e se esforça cada vez mais para mostrar que é o candidato de direita da corrida presidencial deste ano. A ideia é tentar conquistar eleitores de Flávio Bolsonaro (PL) para ir ao segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em uma publicação nas redes sociais, ele fez questão de lembrar e reafirmar que é “direita raiz”, como costumava se apresentar desde que entrou na política, no final dos anos 1980. Em 1989, como líder dos ruralistas e com um discurso contra a esquerda, ele disputou pela primeira vez a Presidência da República — chegou em 10º lugar.
“Eu não sou ‘sabor direita’, eu sou direita raiz”, declarou em um vídeo publicado no Instagram. A postagem traz ainda a defesa de posicionamentos que o colocariam nessa posição, misturando a questão da economia liberal com o conservadorismo nos costumes que ele também representa, aproximando-o do ideário bolsonarista.
Caiado terá como vice o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, que, há meses, tenta vender a ideia de que o partido não vai se aproximar de nenhum dos polos desta eleição (Lula, na esquerda progressista, e Flávio, na direita conservadora), mas caminhar pelo meio, fazendo acenos a eleitores independentes que são tidos como o fiel da balança em 2026.
Já no lançamento da pré-candidatura de Caiado, na sede do PSD em 30 de março, quando o partido decidiu por ele na disputa e não pelo governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, ficou evidente o quanto ele destoaria da proposta de uma candidatura de centro. Na ocasião, o ex-governador goiano afirmou que a maior prioridade de sua candidatura seria derrotar o PT e que, caso não fosse ao segundo turno contra Lula, apoiaria qualquer outro nome de direita.
Questionado por VEJA se faria acenos à esquerda, para se provar mais de centro, Caiado desconversou e chegou a dizer que “todos sabem” qual é a sua posição, que nunca a escondeu — mas não falou que era de direita.
Agora, com Kassab como seu vice e fazendo ataques constantes à candidatura de Flávio, como tentativa de conquistar seus eleitores, ele deixou de lado qualquer possibilidade de adotar algum discurso centrista.







