Estudo mapeia risco de influenciadores afetarem campanhas publicitárias com posicionamento político
Pesquisa analisou 50 mil comentários para descobrir impacto em marcas de posições anteriores de criadores de conteúdo
A chance de posicionamentos políticos de influenciadores contaminarem a percepção das marcas que anunciam com eles pode ser menor do que o mercado costuma supor.
É o que sugere uma pesquisa da Grapa’C, operação de influência do Grupo Dreamers, que analisou mais de 50 mil comentários em campanhas publicitárias realizadas por influenciadores reconhecidos por manifestações públicas, à direita e à esquerda do espectro político.
O levantamento identificou que apenas 3% das manifestações analisadas associavam diretamente questões políticas às marcas anunciantes. Nos demais casos, as conversas estavam concentradas no produto, na campanha ou na experiência de consumo proposta pela publicidade.
Durante períodos de eleição, o percentual de comentários políticos chegou a 7%.
A análise foi feita com campanhas de empresas sem histórico de posicionamento político institucional.
Também foi criado um “grupo de controle” com publicações dos mesmos criadores, mas sem caráter publicitário. Nesses conteúdos, a incidência de comentários políticos alcançou cerca de 10%, mais do que o triplo do registrado nas campanhas.
Para Nicole Pappon, CEO da Grapa’C, os dados ajudam a relativizar uma percepção que ganhou força nos últimos anos.
“O mercado passou a discutir risco político com muita intensidade, mas nem sempre com a mesma intensidade dedicada à análise de comportamento da audiência. O que a pesquisa mostra é que as pessoas são mais capazes de separar marca, creator e posicionamento pessoal do que muitas vezes imaginamos. Isso não elimina riscos, mas traz uma perspectiva mais equilibrada para a tomada de decisão”, avalia.
Outro ponto observado foi o chamado “efeito hater”. Segundo a pesquisa, parte significativa dos comentários políticos não parte necessariamente da comunidade que já acompanha o criador de conteúdo, mas de usuários externos que utilizam campanhas patrocinadas como oportunidade para provocar conflitos ou ampliar disputas ideológicas.
“O ambiente digital produz uma sensação de amplificação permanente. Um comentário viral ou uma discussão mais intensa pode gerar a impressão de que existe uma rejeição generalizada, quando os dados mostram um comportamento muito diferente. Existe uma distância importante entre repercussão e representatividade”, afirma Eder Redder, CSO da Grapa’C e responsável pela condução do estudo.







