Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Estudante negra abre mão de cotas por ‘quem precisa mais’

Caroline Barbosa, de 21 anos, é a favor da reserva de vagas, mas considera que sistema deveria priorizar negros que também sofram com privações econômicas

Quando chegou o momento de a estudante Caroline Barbosa, de 21 anos, prestar os vestibulares, primeiro para a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e depois o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), ela fez uma opção que pode ser considera inusitada: apesar de ser negra e ter direito à cota racial, preferiu concorrer pelo sistema universal de seleção. Caroline participou e foi aprovada nos processos seletivos de 2013 e 2014, respectivamente.

Depois de disputar as vagas com todos os candidatos, ela passou no curso de Farmácia da Unesp e, pelo Enem, para a graduação em Matemática da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Caroline acabou optando não iniciar os cursos, por causa de uma decisão familiar de que não seria o melhor para ela estudar fora de São Paulo. Hoje, cursa engenharia de produção em uma instituição particular da capital paulista.

Segundo contou a VEJA, a razão por não ter utilizado as cotas foi de consciência. “Eu estudei em escola particular a vida inteira. Posso morar na periferia, mas eu nunca tive necessidade. Se participasse do sistema de cotas, roubaria a vaga de quem precisa mais do que eu”, afirmou.

A estudante deixa claro que é favorável à política de cotas, tanto raciais quanto sociais, e que a sua opção foi absolutamente pessoal. Para Caroline, o ideal seria que todos que tiveram o privilégio de receber uma boa educação e se preparar para o vestibular não se candidatassem para as vagas reservadas, mas que não se trata uma regra geral. “Eu tenho amigas que terminaram o Ensino Médio e não puderam fazer um cursinho, tiveram que ir direto trabalhar. Comigo não foi assim”, argumenta.

Veja também

Discriminação

Questionada se a sua recusa significa que o critério econômico mereça atenção especial em relação ao racial, ela concorda, mas observa que a prioridade deveria ser as pessoas que sofrem o preconceito racial ao mesmo tempo em que enfrentam privações econômicas. “Só de você ser pobre, sendo branco ou negro, já é tão difícil. Sendo negro então, nossa, muito mais”.

Apesar da sua escolha de não se inscrever dentro do sistema de cotas, Caroline Barbosa dá exemplos de como ter uma condição socioeconômica acima da maioria não a impede de sofrer com o racismo: “Eu tinha um cabelo enorme alisado e cortei. Só dessa mudança, muita coisa já ficou diferente para mim. De ir em uma loja e as pessoas me olharem estranho até perder uma vaga de emprego”.

Comentários

Não é mais possível comentar nessa página.

  1. Nelson Carvalho

    Parabéns !!!

    Curtir

  2. Absurdo esse assunto!!! Cota é uma aberração… um desserviço ao país… uma premiação da ignorância e do coitadismo… divide mais do q une… não tem meu respeito esse tipo de artimanha colocada em forma de lei e que ainda fere a equidade entre as pessoas… Fica aqui o meu protesto mais uma vez!!! Uma cospida na cara da sociedade!!! Revoltante

    Curtir

  3. Jose Antonio Cardoso

    Parabéns Caroline Barbosa! Seu gesto é uma lição de cidadania. Concordando com você, sou de opinião que o ideal seria não existir “cotas”, mas enquanto a educação básica não está amplamente disponível, as cotas deveriam beneficiar a todos que apresentem condições socioeconômicas insuficientes independentemente da cor da pele.

    Curtir

  4. José Antonio Debon

    Quem tem competência se garante sem a necessidade de subsídios.
    Aliás como ela disse as cotas garantem vagas para as elites negras, etc… e não para os que tem privações econômicas.

    Curtir