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Estudante baleado no Rio depois de parada do orgulho gay diz que foi humilhado por militares

Jovem beijava outro rapaz quando foi agredido no Arpoador, próximo ao Forte de Copacabana. Exército nega, por nota, participação de soldados

Por Cecília Ritto - 15 nov 2010, 16h06

O Exército negou formalmente, no fim da manhã desta segunda-feira, a participação de militares do Forte de Copacabana no incidente que terminou com um jovem baleado no Arpoador, na zona sul do Rio, depois da Parada do Orgulho LGBT, no domingo. A vítima do disparo, no entanto, declarou à Polícia Civil que foi um militar quem deu o tiro. O jovem acusa integrentas daquele quartel, ainda, de humilhações e preconceito.

O estudante Douglas Igor Marques, de 19 anos, ferido pelo projétil, chegou à delegacia do Leblon (14ª DP) nesta segunda-feira acompanhado dos pais e contou ter sido vítima de preconceito. No momento do crime, Douglas disse que beijava outro rapaz e estava rodeado de amigos homossexuais. Mesmo após o grupo ter sido revistado pelos militares, um deles agrediu Douglas e o jogou no chão. Neste momento, a vítima foi baleada.

“Começaram (os militares) a tocar um terror psicológico. Ofenderam, xingaram, disseram que se pudessem matavam cada um de nós com as mãos porque éramos uma raça de otários”, disse Douglas, na porta da delegacia. E acrescentou: “Ele ( o militar) tinha a intenção de atirar em mim porque (o tiro) foi muito próximo”. A Polícia Militar foi acionada e o jovem foi encaminhado ao hospital Miguel Couto, na Gávea, zona sul. Ele deu entrada às 23h de domingo e recebeu alta nesta segunda-feira.

O Exército nega, em nota, que militares de plantão na noite de domingo tenham disparado contra Douglas. O Comando Militar do Leste afirma que não foi realizada nenhuma patrulha externa fora da área militar – o local onde houve a ocorrência não fica sob a administração do Forte de Copacabana e, por isso, nenhum soldado teria feito ronda por aquela região.

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Segundo o coronel Zanan, todas as armas foram verificadas e nada indica que o tiro partiu de um militar. “Posso garantir categoricamente que não partiu da guarda do Forte de Copacabana.” Ainda segundo o coronel, havia muitas pessoas fantasiadas com roupas camufladas na parada LGTB e pode ter sido uma delas quem fez o disparo. “Possivelmente foi alguém com roupa camuflada. O tiro não saiu da gente.”

Por enquanto, a corporação não abrirá sindicância interna para apurar os fatos. As investigações são realizadas pela Polícia Civil, que enviou um oficio ao Exército pedindo a apresentação do oficial do dia do Forte de Copacabana na delegacia do Leblon, na próxima quinta-feira. Dois militares já foram à delegacia e se comprometeram em colaborar na apuração dos fatos. A polícia estuda se houve tentativa de homicídio e crime de racismo.

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