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Estrutura de prédio do hospital não foi danificada

Por Antonio Pita e Felipe Werneck

Rio de Janeiro – Um incêndio no Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe), em Vila Isabel, na zona norte do Rio, causou a morte de uma paciente e destruiu completamente o prédio anexo às enfermarias onde funcionava um almoxarifado. O fogo teve início por volta das 5h30 desta quarta-feira e rapidamente espalhou uma densa fumaça negra pelos ambulatórios, levando à evacuação do prédio onde 320 pacientes estavam internados.

O incêndio foi controlado por volta das 9 horas pelo Corpo de Bombeiros, que precisou usar escadas mecânicas para resgatar os pacientes nos andares superiores. As chamas chegaram até o quarto andar do hospital, onde estavam localizadas as enfermarias de nefrologia, hemodiálise e cirurgia torácica, as mais afetadas pela fumaça.

Naquele local estava internada a única vítima do incêndio, Edenir Pereira, de 65 anos. Ela foi hospitalizada há cerca de um ano com um quadro grave de fibrose cística, doença que compromete a capacidade respiratória. “O paciente com problemas pulmonares fica mais susceptível quando exposto à fumaça, como aconteceu”, afirmou o diretor do hospital, Rodolfo Nunes. Em meio ao caos no atendimento, o hospital chegou a comunicar erroneamente a morte de uma paciente à família. “Houve um equívoco, causado pelos nomes parecidos das pacientes. Elas apresentavam o mesmo quadro clínico e estavam internadas na mesma enfermaria”, admitiu Nunes.

Os primeiros socorros foram realizados no pátio do hospital pela equipe de plantonistas e pelos bombeiros. Cerca de 60 pacientes precisaram ser realocados em alas menos afetadas pela fumaça e outros 17 foram transferidos para outros hospitais.

A supervisora de enfermagem do Pedro Ernesto, Bianca Siciliano, afirmou que estava de plantão na madrugada quando foi acordada pelo aviso de incêndio. “Só não aconteceu uma tragédia pois agimos rápido. Havia muita fumaça e tivemos que improvisar enfermarias para os pacientes mais graves”, afirmou.

Do lado de fora, familiares aguardavam informações sobre o estado de saúde dos parentes. A aposentada Ozinete da Silva Rodrigues, de 81 anos, foi ao local saber notícias do seu marido, Milton Pereira, de 76 anos. Ele estava internado há oito dias a espera de uma cirurgia ortopédica no fêmur, marcada para quinta-feira. “Ele foi liberado por conta do incêndio, mas não tive informações sobre o estado dele e sobre uma nova data para a cirurgia”, afirmou a aposentada.

De acordo com os bombeiros, a estrutura do prédio principal do hospital não foi danificada. O prédio onde aconteceu o incêndio foi construído há apenas um ano e, segundo a direção do hospital, obedecia a todos os requisitos de segurança contra incêndio. As causas do incêndio também não foram esclarecidas, mas no local onde aconteceu o acidente eram armazenados utensílios cirúrgicos e insumos para realização de exames, material altamente inflamável.

A expectativa da direção do hospital é que dentro de 15 dias a unidade esteja funcionando normalmente. Os procedimentos de consultas e cirurgias foram suspensos até que uma vistoria seja feita no prédio para avaliar as condições de reabertura. Segundo a direção do hospital, apenas os pacientes já internados e os casos mais urgentes terão atendimento quinta-feira.

Pela manhã, o governador do Rio, Sérgio Cabral, e o secretário de Saúde, Sérgio Côrtes, estiveram no hospital para oferecer suporte no atendimento às vítimas. Cabral afirmou que o orçamento será liberado para que a unidade “possa fazer os gastos necessários na recuperação física e estrutural do que for preciso”. A estimativa da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), que administra o hospital, é que os prejuízos cheguem a R$ 5 milhões. Nos últimos quatro anos, o Hupe recebeu cerca de R$ 50 milhões para reformas e compras de equipamentos, de acordo com o reitor Ricardo Vieiralves.

Segundos os médicos residentes, o hospital atravessa uma grave crise, com reformas paradas e com escassez de materiais básicos para os procedimentos. A unidade também enfrenta greve de anestesistas, professores e servidores. “A gente não tem o mínimo para o atendimento digno aos pacientes, fazemos tudo na base do jeitinho brasileiro. Tem que escolher qual paciente vai ser atendido. Estamos aprendendo a medicina da forma errada”, afirmou a estudante Flávia Nobre, que faz residência em cirurgia geral. As informações foram negadas pelo reitor da Uerj, que administra o hospital. Segundo Ricardo Vieiralves, “os residentes nunca haviam falado dos problemas”.