Escândalo envolvendo o ex-assessor Marcola produz estragos para Lula nas redes
Divulgação de que ex-chefe do gabinete presidencial pegou dinheiro com lobista investigada pela Polícia Federal gerou 18 milhões de postagens
Na condição de chefe de gabinete do presidente da República — e um dos homens mais próximos de Lula no Planalto –, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, recebeu dinheiro de uma lobista que hoje é investigada pela Polícia Federal por suposto envolvimento em esquemas de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
Roberta Luchsinger, que fez os pagamentos a Marcola, tem sólida amizade com o filho de Lula e, juntos, segundo a PF, fizeram negócios com o chefe da máfia do INSS, o empresário Antônio Carlos Camilo, o Careca do INSS.
A revelação dessa transação financeira entre Roberta e Marcola — que envolveria pagamento de despesas pessoais do assessor de Lula — transformou-se num foco de desgastes para o presidente da República. Marcola, que despachava na campanha do petista, teve que pedir demissão, após admitir ter recebido 249. 000 reais.
Essa combinação de personagens influentes metidos numa mesma investigação da PF provocou uma forte onda de postagens nas redes sociais.
Levantamento da AtivaWeb DataLab registrou 18. 701. 444 interações relacionadas ao assunto em Facebook, Instagram, X, TikTok e conversações no YouTube.
Segundo o estudo, 71% das manifestações apresentaram tom de negação, crítica ou rejeição, enquanto 11% foram neutras ou predominantemente informativas. O restante, 18%, ficou no campo positivo, de apoio ou defesa.
Para a AtivaWeb, mais importante que o volume foi a transformação da conversa. “O episódio passou a incorporar referências a Lula, PT, Lulinha, governo, INSS, corrupção, Flávio Bolsonaro, Vorcaro e eleição de 2026. Nos comentários analisados, memes, ironias e expressões relacionadas a ‘empréstimo’ e ‘amigo’ ajudaram a simplificar e espalhar a discussão”, diz o estudo.
Para Alek Maracajá, CEO da AtivaWeb, o fenômeno mostra como uma crise ganha autonomia no ambiente digital:
“Uma crise se torna realmente perigosa no digital quando deixa de depender do fato original para continuar crescendo. Nesse momento, a narrativa passa a caminhar sozinha. ”
Segundo Maracajá, os 18,7 milhões de interações mostram o tamanho da mobilização, mas os 71% de reação crítica revelam onde está a pressão: “No ambiente digital, o fato abre a porta; quem ocupa a sala é a narrativa. ”
O estudo também identificou a entrada da disputa presidencial na conversação, com manifestações relacionadas tanto a Lula quanto a Flávio Bolsonaro e ao campo bolsonarista.
“Em 2026, uma crise não precisa falar de eleição para produzir efeito eleitoral. A própria rede faz essa conversão”, diz Alek Maracajá.
A AtivaWeb DataLab ressalta que o levantamento não é pesquisa eleitoral e não mede intenção de voto. Os indicadores representam exclusivamente o comportamento e as narrativas observadas no universo digital analisado.







