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Erros do piloto e falha técnica causaram a queda do AF-447

Relatório do Escritório de Investigações e de Análises (BEA) concluiu que tripulação não soube agir diante de um problema mecânico no avião

Por Da Redação
5 jul 2012, 09h45

Três anos depois da tragédia do vôo Air France 447 (Rio-Paris) na qual morreram todas as 228 pessoas a bordo – entre as quais 58 brasileiros -, o Escritório de Investigações e de Análises (BEA) da Aviação Civil, órgão do Ministério dos Transportes francês encarregado da apuração das causas do acidente, divulgou seu relatório final. O avião Airbus 330-203 despencou de 11,5 quilômetros de altitude em 3 minutos e 30 segundos no Oceano Atlântico em 31 de maio de 2009.

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O relatório conclui que o acidente foi provocado principalmente por erros dos pilotos e falta de treinamento da tripulação, que não soube agir diante de um problema mecânico apresentado pela aeronave. A conclusão vai na mesma linha da divulgada na noite desta quarta-feira por peritos independentes contratados pela Justiça da França. Eles indicaram, no relatório entregue ao Ministério Público de Paris, que pelo menos três fatores foram decisivos para a queda AF-447: falhas técnicas, deficiência de treinamento e erros de pilotagem.

Segundo Jean Troadec, diretor BEA, os pilotos não perceberam que o avião estava em situação de estol (perda de sustentação) e a tripulação (assim como os passageiros) em nenhum momento notou que o avião caía. De acordo com o relatório divulgado nesta quinta-feira, a incoerência nas informações de velocidade por causa do congelamento dos sensores pitot – os sensores de velocidade – provocou a queda do piloto automático. Sem conseguir identificar a anomalia, o comandante não seguiu os procedimentos recomendados pela Air France.

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O relatório também indicou que, sem o equipamento automático e no comando da situação, o piloto agiu “com ações bruscas e excessivas, não adequadas a um avião naquela altitude e velocidade”. Segundo o BEA, a tripulação não havia sido treinada para atuar na situação de perde de informações e de pilotagem manual em alta altitude. “A tripulação estava num estado de perda quase total da situação”, declarou, Alain Bouillard, diretor da investigação.

Entre as recomendações apontadas pelo relatório estão o melhorias no treino dos pilotos e na formação prático-teórica da tripulação e aperfeiçoamento dos simuladores de voo, que devem ser mais realistas. “Houve a perda de controle de trajetória, associada a perda de consciência da tripulação”, concluiu Jean Troadec. O diretor do BEA lembrou que a investigação não tem o propósito de condenar responsáveis, o que será determinado por um processo realizado pelo Ministério Público francês, que será apresentado no dia 10 de julho.

Peritos independentes – As conclusões dos peritos independentes, reveladas por um sindicato de pilotos da França nesta quarta-feira, lançam dúvidas sobre as companhias envolvidas e sobre agências de aviação civil da Europa e devem nortear o processo judicial, no qual Air France e Airbus respondem por homicídio culposo, não intencional.

Mil e cem dias foram necessários para que a opinião púbica conhecesse, enfim, as causas da queda do Airbus A330. O documento indica que o piloto Marc Dubois, de 58 anos, e seus copilotos, David Robert, de 37, e Pierre-Cedric Bonin, de 32, teriam tomado decisões erradas durante os quatro minutos de queda, mas essas ações teriam sido causadas por falhas mecânicas e eletrônicas no avião e por falta de treinamento apropriado. O papel das autoridades de aviação civil da França e da Europa também será questionado.

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O relatório dos peritos contratados pela Justiça foi entregue na segunda-feira aos advogados das famílias de vítimas, mas não podia ser revelado antes de ser encaminhado aos parentes. Na noite desta quarta-feira, o Sindicato Nacional de Pilotos de Linha (SNPL France Alpa) divulgou uma nota oficial no qual comenta as conclusões. “O relatório judiciário questiona a concepção do avião, os procedimentos utilizados pelo A330 no momento do acidente, a formação da tripulação por sua companhia, o funcionamento imperfeito da tripulação, assim como falhas gritantes no acompanhamento pelas autoridades dos múltiplos incidentes similares que precederam o acidente”, diz, em nota, o presidente do SNPL, Yves Deshayes.

Sob suspeita – Entre os órgãos questionados estão a Direção-Geral de Aviação Civil (DGAC) da França e a Agência Europeia de Segurança Aérea (Easa), que teriam menosprezado a importância das falhas apresentadas pelos tubos de Pitot, que congelaram durante o voo.

No caso dos aviões fabricados pela Airbus, esses equipamentos orientam todos os instrumentos eletrônicos de navegação, que auxiliam os pilotos. Os sensores fabricados pela companhia francesa Thales, que equipavam os Airbus da Air France, apresentaram falhas similares mais de uma dezena de vezes antes da queda do AF-447.

(Com Agência Estado)

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