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Engenheiro morre após ‘banho de óleo’ em escola de aviação no Paraná

Piloto de 27 anos passou mal após ritual que marca conclusão de etapa da formação; instrutor foi preso em flagrante por homicídio culposo e liberado sob fiança

Por Laila Nery Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 17 jul 2026, 11h50 | Atualizado em 17 jul 2026, 13h54
Engenheiro morre após ‘banho de óleo’ em escola de aviação no Paraná Priorizar nos meus resultados Google

O engenheiro eletricista e biomecânico Gustavo Henrique Lara, de 27 anos, morreu na noite desta quinta-feira, 16, após sofrer uma reação alérgica durante um ritual conhecido como “banho de óleo”, realizado após a conclusão de uma etapa da formação de pilotos no Centro de Instrução de Aviação Civil (CIAC) do Aeroclube de Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná.

A cerimônia é uma tradição em escolas de aviação do país e costuma marcar conquistas importantes na carreira de pilotos, como o primeiro voo solo. No ritual, instrutores ou colegas despejam óleo utilizado em motores de aeronaves sobre o aluno como forma de celebração e de “batismo” na comunidade aeronáutica.

Segundo a Polícia Civil, um instrutor da escola jogou a substância sobre Gustavo durante a comemoração. Pouco depois, o jovem apresentou um grave comprometimento de saúde, foi atendido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhado a um hospital, mas não resistiu.

Em entrevista à RPC Ponta Grossa, afiliada da TV Globo, o delegado Lucas Petry, responsável pela investigação, afirmou que a substância utilizada no ritual é um óleo empregado em motores de aeronaves.

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O instrutor responsável pelo banho de óleo se apresentou espontaneamente às autoridades. Conforme informou a Polícia Civil, ele confirmou ter despejado a substância sobre o piloto e afirmou que o procedimento é realizado do pescoço para baixo. O homem foi preso em flagrante por homicídio culposo — quando não há intenção de matar —, prestou depoimento e foi liberado após pagar fiança de R$ 3 mil.

A Polícia Civil informou que, até o momento, não foram encontrados elementos que indiquem intenção de provocar a morte da vítima.

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Reação alérgica

À RPC Ponta Grossa, o Samu informou que Gustavo sofreu uma reação anafilática — a forma mais grave e rápida de reação alérgica. Segundo a equipe de socorro, ele teve uma crise convulsiva seguida de três paradas cardiorrespiratórias. As duas primeiras foram revertidas, mas o jovem morreu após a terceira.

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A investigação busca entender se houve relação direta entre a substância utilizada no ritual e a morte do piloto. Para isso, a Polícia Civil solicitou exames necroscópico, toxicológico e químico-pericial. Os investigadores também pretendem apurar a composição do óleo utilizado, a quantidade despejada sobre a vítima, quais regiões do corpo foram atingidas e se havia fatores que poderiam aumentar o risco de uma reação grave.

Escola lamenta morte

Em nota, o Centro de Instrução de Aviação Civil (CIAC) do Aeroclube de Ponta Grossa lamentou a morte de Gustavo e afirmou que o episódio ocorreu fora das dependências da instituição, logo após o encerramento das atividades de voo.

“O Centro de Instrução de Aviação Civil (CIAC) de Ponta Grossa manifesta seu mais profundo pesar pelo falecimento do piloto Gustavo Henrique Lara, ocorrido após a realização de seu voo solo”, afirmou a escola.

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A instituição acrescentou que permanecerá à disposição das autoridades para colaborar com as investigações e informou que não fará novos comentários até a conclusão do inquérito, em respeito à família e ao trabalho da polícia.

Morador de Ipiranga, nos Campos Gerais, Gustavo era filho do ex-vereador Neudes José Lara e de Lucineia Maria Dalazoana Lara, ex-servidora da prefeitura do município. Em nota de pesar, a Prefeitura de Ipiranga manifestou solidariedade à família e lamentou a morte do jovem.

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