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Encapuzados executam dois militantes do MST na Paraíba

Rodrigo Celestino e José Bernardo da Silva lideravam o acampamento D. José Maria Pires, em Allambra

Por Da Redação Atualizado em 9 dez 2018, 18h57 - Publicado em 9 dez 2018, 18h55

Dois militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) foram executados a tiros, na noite deste sábado 8 no município de Alhambra, a 45 km da capital da Paraíba. De acordo com testemunhas ouvidas pela Polícia Civil, criminosos encapuzados invadiram o acampamento do MST Dom José Maria Pires e assassinaram os dois homens enquanto eles estavam jantando. 

Segundo o MST, as vítimas eram Rodrigo Celestino e José Bernardo da Silva, este último conhecido como Orlando. Eles foram identificados pelo movimento como coordenadores do acampamento. Para o MST, este fato “evidencia o caráter de crime para intimidar a luta pela terra”. Não há, até o momento, informações oficiais sobre a motivação dos crimes.

A Polícia Militar informou que realizava buscas neste domingo, 9, na tentativa de prender os suspeitos. Até o momento, nenhum suspeito foi preso.

De acordo com a 1ª Companhia da Polícia Militar de Alhambra, foram recolhidas no local as cápsulas de espingarda calibre 16 e de revólver calibre 38. Outros acampados estavam no local, mas os tiros foram direcionados para as duas vítimas, segundo as testemunhas. A Polícia Civil informou que trata o caso como execução, pois os assassinos renderam os dois líderes do MST e mandaram os outros acampados se afastarem antes de iniciarem os disparos.

O acampamento fica na Fazenda Garapu, ocupada pelos sem-terra em julho de 2017. O MST alega que as terras estavam abandonadas. Atualmente, vivem no local 450 famílias dedicadas ao de subsistência.

  • Os corpos das vítimas passaram por necropsia no Instituto de Criminalística de João Pessoa. O corpo de Silva será sepultado no município de Pari (PB), neste domingo. Ele era irmão de Odilon da Silva, do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), também assassinado há 9 anos na Paraíba. O corpo de Celestino será sepultado na capital também neste domingo.

    Em nota, o MST pediu a punição dos assassinos dos trabalhadores rurais. “Nestes tempos de angústia e de dúvidas sobre o futuro do Brasil, não podemos deixar os que detêm o poder político e econômico traçar o nosso destino. Portanto, continuamos reafirmando a luta em defesa da terra como central para garantir dignidade aos trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade.” 

    Dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT) divulgados em abril indicam aumento da violência no campo. Em 2017, houve 70 assassinados relacionados a disputas de terra no Brasil, o maior número desde 2003, quando houve 73 mortes. Em 2016, tinham sido registradas 61 e, no ano anterior, 50 mortes.

    (Com Estadão Conteúdo)

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