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Empresas sob suspeita receberam mais de R$ 6 mi de fornecedores da Petrobras

Polícia Federal deflagrou sexta fase da Lava Jato. Desta vez, alvo são empresas ligadas a Paulo Roberto Costa, ex-diretor da estatal

Por Daniel Haidar, do Rio de Janeiro 22 ago 2014, 13h05

A Polícia Federal e o Ministério Público Federal suspeitam que Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, recebia ajuda de um sócio do genro para receber propina. Nesta sexta-feira, foi deflagrada a sexta fase da operação Lava Jato, em que Marcelo Barbosa Daniel é o principal investigado. Ele é sócio de Humberto Mesquita, um dos genros de Costa. Daniel comanda empresas que receberam mais de 6 milhões de reais em pagamentos suspeitos feitos por fornecedores da estatal.

Com um mandado de condução coercitiva expedidio, policiais tentaram interrogar Daniel nesta sexta-feira. Mas ele não foi encontrado. De acordo com os policiais, estava em viagem aos Estados Unidos e comprometeu-se com os agentes a prestar depoimento quando voltar ao Brasil. Empresas ligadas a Costa e seus familiares foram vasculhadas nesta sexta-feira pela PF no Rio de Janeiro. Daniel é sócio de Humberto Sampaio de Mesquita, um dos genros de Costa, na Pragmática Consultoria em Gestão, que recebeu, diretamente da Petrobras, 2,5 milhões de reais, como revelou o site de VEJA.

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O Ministério Público Federal suspeita que as empresas de Daniel tenham sido usadas no esquema para dar uma aparência legítima a pagamentos de propina para o ex-diretor. Algumas das empresas investigadas nesta etapa da operação estavam sediadas no mesmo endereço. Outras tinham como fonte de receita apenas pagamentos de fornecedores da estatal. Das empresas de Daniel, a Verssales Consultoria recebeu, entre 2012 e 2013, 2,5 milhões de reais da construtora Barbosa Mello (CBM), fornecedora da Petrobras. Já a BAS Consultoria recebeu 3,6 milhões de reais da Alusa Engenharia e 1,7 milhão de reais do consórcio Alusa-CBM. Tais pagamentos, agora sob suspeita, são justamente o cerne desta investigação – o MP apura se os serviços foram prestados de fato.

Transações suspeitas entre Daniel, Mesquita e Costa foram identificadas em análise especial feita pela Receita Federal. Foi comunicado ao Fisco um empréstimo de 1,9 milhão de reais de Daniel a Paulo Roberto Costa em 2013. Não fosse isso o ex-diretor teria apresentado crescimento patrimonial atípico, pelos padrões da Receita Federal. Humberto Sampaio recebeu do sócio uma doação de 1 milhão de reais, também considerada uma tentativa de driblar o Fisco.

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A Lava Jato foi desencadeada em março para desmontar sofisticado esquema de lavagem de dinheiro que atingiu o montante de 10 bilhões de reais. A investigação mostra as digitais do doleiro Alberto Youssef em negócios sob suspeita no Ministério da Saúde e na Petrobras. Entre os clientes de Youssef estão as maiores empreiteiras do país, parlamentares notórios e três dos principais partidos do país – PT, PMDB e PP.

Para garantirem contratos na Petrobras, as empresas contribuíam para o caixa eleitoral de partidos ou pagavam propina diretamente a políticos. Indicado pelo PP à diretoria de Abastecimento da Petrobras, Costa tinha o poder de decidir quando, como e de quem comprar suprimentos, máquinas e serviços. Youssef, por sua vez, decidia quem poderia vender. Para isso, as empresas candidatas precisavam pagar um pedágio.

Em abril, reportagem do site de VEJA revelou que um conjunto de fornecedores, agora sob suspeita, recebeu pelo menos 31,1 bilhões de reais da Petrobras desde 2003 – ano em que o PT assumiu a Presidência da República e passou a interferir diretamente na gestão da estatal. Levantamento feito pelo site de VEJA a partir dos registros oficiais de doações de campanha, revela que, de 2006 a 2012, as empresas e seus diretores agora investigados por participação no esquema destinaram pelo menos 856 milhões de reais para financiar candidaturas.

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