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Empresa nega problemas em novos trens do metrô do Rio

MetrôRio realizou testes abertos à imprensa com composição vinda da China

Após denúncias de que os novos trens comprados na China não estariam adequados às medidas das plataformas e estações, a concessionária MetrôRio realizou, nesta quarta-feira, testes abertos à imprensa com a nova composição. A empresa negou que a reforma nas estações, realizada nas últimas semanas e criticada por engenheiros e sindicalistas, tenha como objetivo evitar que o trem colida com as plataformas durante a operação. As composições compradas na China seriam, segundo especialistas em transporte e funcionários do metrô, mais leves que os atuais trens e, por isso, sofreriam mais trepidações podendo causar choques laterais.

Segundo o diretor de engenharia da concessionária, Joubert Flores, as reformas integram um plano de 54 intervenções da empresa previstas no acordo para a compra dos novos trens. As obras nas estações, que incluem raspagem das plataformas e modificação na sinalização dos túneis, custaram cerca de 600.000 reais. Segundo a concessionária, o objetivo é garantir maior margem para manobras dos trens em caso de emergências, atendendo a padrões internacionais de distâncias entre trens e plataformas. “Numa eventual contingência, o trem pode oscilar e para facilitar sua remoção das plataformas é que estão sendo feitas as raspagens. Nós poderíamos abrir mão de padronizar as distâncias, mas tecnicamente é importante, embora para o usuário seja imperceptível”, afirmou o diretor de engenharia.

A empresa é alvo de uma ação do Ministério Público do Rio que questiona a realização das obras na estação. O MPRJ deu um prazo de 30 dias para que a empresa e as agências reguladoras do governo estadual apresentem um relatório sobre as reformas. A concessionária MetrôRio informou que o MPRJ foi convidado a acompanhar os testes e as informações sobre os novos trens. Joubert Flores explicou que não há risco de colisões e que os novos trens têm as mesmas dimensões das antigas composições, comprados nas décadas de 70 e 90. Ele também negou que os trens sejam mais leves que as atuais composições em operação. “As composições contam com quatro vagões com motor e dois a reboque. Este sistema é mais sustentável, pois consome até 30% menos energia”, afirmou.

Previstos para entrar em operação no final de agosto, a primeira composição comprada da China passa por testes diários desde junho. Ela será integrada à linha 2 do metrô. Ao todo, 19 novos trens devem ser incorporados à frota carioca até março. Desse total, 7 trens ainda estão em construção, seis estão embarcados à caminho do Rio e dois estão no porto. Os demais passam por testes operacionais. Os novos trens foram comprados em 2008 de uma empresa chinesa ao custo de 320 milhões de reais, pagos pela empresa como contrapartida à prorrogação da concessão. Com a renovação da frota, a expectativa é de que o intervalo entre a circulação dos trens caia dos atuais cinco minutos para até dois. “O sistema funciona em carrossel, então todos os trens tem que ter as mesmas características. Por isso, não adianta aumentar a velocidade dos trens mais modernos e os demais continuarem no ritmo atual”, destacou Flores.

(Com Agência Estado)