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Emoção marca chegada dos brasileiros que estavam na Antártida

Avião da Marinha trouxe 39 brasileiros na madrugada desta segunda-feira

Por Luís Bulcão - 27 fev 2012, 06h05

O Hércules C-130 da Marinha que trouxe 39 brasileiros e duas pesquisadoras espanholas da Antártida aterrissou na Base Aérea do Galeão à 1h08 desta segunda-feira. Foram nove horas de viagem do extremo sul do Chile, em Punta Arenas, até o Rio de Janeiro, mas a angústia começou na madrugada de sábado, quando o fogo tomou conta da estação brasileira Comandante Ferraz, na Antártica.

“Estou traumatizada, emocionada. Há 20 anos trabalho lá. Foi como ver a minha casa pegando fogo. Perdi tudo, todo o material de pesquisa e todas as minhas coisas particulares que estavam lá”, contou a bióloga marinha da Universidade Federal do Paraná, Terezinnha Absher, ao descer do avião. Ao ser perguntada se retornaria à Antártida mesmo depois de tudo os que aconteceu ela respirou fundo e disse: “Não sei, ainda tenho que pensar. Mas acho que volto, sim”.

Junto com Terezinha desembarcaram outros 25 pesquisadores, um alpinista, 12 pessoas que trabalhavam na manutenção da estação, um integrante do Ministério do Meio Ambiente, e o primeiro-sargento da Marinha, Luciano Gomes Medeiros. Luciano foi transportado em uma cadeira de rodas e em seguida foi levado para o hospital naval Marcílio Dias. Mesmo sem apresentar risco de morte, ele precisa tratar os ferimentos sofridos durante o incêndio.

Arthur Rocha, pesquisador da USP, contou que estava em seu laboratório ouvindo música alta na hora em que o incêndio começou. Ele não escutou alarmes e quando percebeu a movimentação procurou seguir os procedimentos de emergência. Segundo Arthur, ele e os demais pesquisadores ficaram em uma área segura, longe do incêndio. “Houve uma mobilização muito grande. Tentei fazer tudo o que foi recomendado. Perdi todo o meu laboratório”, disse.

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Cerca de cem pessoas foram receber os familiares na Base Aérea. Houve muita emoção no encontro e palmas para homenagear o trabalho dos militares que arriscaram a vida para tentar salvar a estação.

A bióloga Adriana Dalton, que havia retornado há 15 dias da Antártida, foi receber o marido, que também é pesquisador. “Trabalho no programa desde 2009. Muita coisa se perdeu em pesquisa, mas o maior prejuízo foi perder amigos”, afirmou.

Telma Barreto de Jesus viu o marido chegar em estado de choque. “Ele está tremendo ainda. Não quer falar nada”, disse.

A Marinha espera transportar os corpos do suboficial Carlos Alberto Vieira Figueiredo e do primeiro-sargento Roberto Lopes dos Santos, os dois militares mortos no incêndio, ainda na terça-feira, mas depende das condições climáticas da Antártica. Os corpos já foram resgatados da estação brasileira e estão na estação chlilena Eduardo Frei.

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