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Em São Paulo, Dilma reconhece “momentos difíceis”

"Chegamos ao limite do orçamento e devemos reconstruir o equilíbrio fiscal", afirmou, na 10ª Conferência Nacional do PCdoB

Por Da Redação 29 Maio 2015, 23h52

Na abertura da 10ª Conferência Nacional do PCdoB, em São Paulo, na noite desta sexta-feira, a presidente Dilma Rousseff (PT) reconheceu que seu governo vive momentos difíceis e defendeu as medidas de ajuste fiscal. “Chegamos ao limite do orçamento e devemos reconstruir o equilíbrio fiscal. Estamos tentando colocar a economia na rota do crescimento e é melhor que façamos logo porque a demora atua contra a população e contra o povo”, afirmou, sem reconhecer a própria responsabilidade pelos “momentos difíceis”. No discurso de pouco mais de uma hora, a presidente lamentou o fim da CPMF, derrubada no Congresso Nacional, na gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e disse que a destinação de 25% do fundo do pré-sal para a saúde não dá para muita coisa. Ao defender seu governo, afirmou enxergar um conservadorismo muito perigoso na sociedade brasileira e se posicionou mais uma vez contra a maioridade penal. “Penalize o adulto, mas resolver a questão da violência do menor com internação em prisões, não resolve.”

Ajuste fiscal – Dilma fez elogios ao partido comunista, lembrou o passado comum na luta contra a ditadura e rebateu críticas ao ajuste, em particular as ventiladas por sua própria base aliada. “Posso garantir que agenda do meu governo é popular, inclusiva, e tenho discutido o ajuste fiscal de forma equilibrada, com justiça.” Segundo ela, as medidas provisórias 664 e 665, que alteram benefícios trabalhistas e previdenciários, são “correções de rumo”, e o projeto de lei das desonerações é “crucial”. “Conseguimos aprovar as MPs que precisávamos e agora precisamos aprovar o PL (projeto de lei) que reduz a desoneração da folha, mas nós não estamos com isso aumentando imposto”, afirmou – na verdade, o governo abriu mais de uma frente para elevar a arrecadação, o que inclui elevar impostos sobre importados, aumentar a taxação sobre o lucro de bancos e recompor alíquotas da contribuição previdenciária sobre a receita de empresas. Para não variar, Dilma aproveitou para criticar a gestão tucana de Fernando Henrique Cardoso. “Os ajuste que queremos fazer não têm o mesmo padrão dos realizados antes do governo Lula”, disse. “Não vamos interromper os programas sociais e de infraestrutura. Este é o desafio do governo e, por isso, é preciso rapidez na implantação dos ajustes.”

Reforma política – Dilma também falou da reforma política, dizendo considerá-la fundamental para fortalecer os partidos – embora jamais tenha dado efetiva prioridade ao tema – e defendeu o fim do financiamento empresarial de campanhas políticas. “Considero que temos que introduzir na Constituição o fim do financiamento empresarial”, disse. “Temo que isso seja postergado.” Na verdade, em vez de postergado, a questão do financiamento avançou esta semana com a aprovação das doações de empresas, não sua proibição, ainda que apenas a partidos políticos, não a candidatos.

Petrolão – Dilma insistiu na tese de que a Petrobras “virou a página” do escândalo do petrolão. “Agora temos condições de lançar o plano estratégico de investimento da Petrobras”, disse, ignorando as dificuldades que a estatal enfrenta para se financiar. Dilma fez também uma longa defesa do programa de conteúdo nacional e afirmou que ele foi o responsável pela criação de muitos empregos no país. “O Brasil não vai ser aquele país que só exporta óleo bruto. Não vamos cair na maldição do petróleo”, afirmou.

A participação de Dilma no evento do PCdoB não estava na agenda prévia do Planalto – foi decidida na tarde desta sexta-feira.

(Com Estadão Conteúdo)

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