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Em Recife, o desgaste do PT e força de Eduardo Campos

Candidato do governador lidera com folga, seguido do tucano Daniel Coelho; enfraquecido, o petista Humberto Costa aparece em terceiro nas pesquisas

Por Laryssa Borges 7 out 2012, 09h00

Há 17 anos o candidato ungido pelo governador de Pernambuco não consegue sair vitorioso nas urnas para a prefeitura do Recife. O tabu, que já impôs derrotas aos governadores Roberto Magalhães (PFL), Miguel Arraes (PSB) e Jarbas Vasconcelos (PMDB), por exemplo, pode enfim ser desconstruído neste domingo. Com a candidatura alavancada pela aprovação recorde de 90% do governador Eduardo Campos (PSB), o neófito Geraldo Julio (PSB), de perfil técnico e cuja família é ligada à mãe do mandatário, Ana Arraes, lidera com larga vantagem a disputa pela prefeitura recifense e chega às urnas com 46% das intenções de voto, considerando os votos válidos, segundo o Datafolha.

Se o bom desempenho de Julio se apoia na possibilidade de o governo da capital se transformar em uma espécie de franquia do Palácio do Campo das Princesas e, por consequência, sacramentar a força de Eduardo como presidenciável em 2014, o forte poderio econômico da campanha do socialista, apoiada pelo empresário e senador Armando Monteiro Neto (PTB), também garante margem folgada para o preposto do governador diante dos adversários. Sua campanha apoia-se na defesa de “um novo Recife”, apesar de o seu partido, o PSB, ter o atual vice-prefeito da capital, Milton Coelho.

Desgaste do PT – Completa a lista em favor do líder de intenções de voto o fato de o PT, rachado desde o início da campanha eleitoral, se digladiar também na reta final da corrida pela prefeitura. A novela petista começou com a troca de acusações, em maio, entre Maurício Rands e o atual prefeito João da Costa em uma prévia interna do partido. Vitorioso, Costa foi acusado de fraudar a lista de militantes que votaram no pleito. Uma intervenção direta do ex-presidente Lula no final daquele mês impôs goela abaixo o nome do senador Humberto Costa como candidato à prefeitura.

Responsável pela candidatura forçada de Humberto Costa, Lula prometeu comparecer pelo menos duas vezes a comícios no Recife para cacifar o nome do senador. Envolvido com a disputa em São Paulo, onde o ex-ministro da Educação, Fernando Haddad, luta para chegar ao segundo turno, o ex-presidente, no entanto, desistiu de investir na capital pernambucana. A presidente Dilma Rousseff sequer gravou apoio para o programa partidário petista. Do governo federal, apenas os ministros Gilberto Carvalho (Secretaria-geral) e Alexandre Padilha (Saúde) apoiaram Humberto Costa in loco.

Com poucas possibilidades de vitória no início da corrida pela prefeitura, o PSDB ainda tenta vencer no Recife. O partido evitou encampar a candidatura do deputado Bruno Araújo ao executivo municipal, deu a ele o cargo de líder da legenda na Câmara Federal e lançou o ex-verde Daniel Coelho. Recém-desfiliado do PV, o neotucano cresceu nas pesquisas e desbancou o petista Humberto Costa na segunda colocação. Nas promessas de campanha, utilizou discurso contra “poderosos” e “padrinhos” e foi frequentemente cobrado por renegar caciques do PSDB. Em todo caso, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso gravou para programas de TV do candidato, e Coelho ainda dividiu palanque com o senador mineiro e presidenciável Aécio Neves, que fez um tour por cidades nordestinas para apoiar correligionários.

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