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Em plena pandemia, assassinatos crescem no Brasil após 2 anos de queda

Uma pessoa foi morta no Brasil a cada 10 minutos no 1º semestre de 2020, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública

Por Eduardo Gonçalves - Atualizado em 18 out 2020, 23h47 - Publicado em 16 out 2020, 20h18

O Brasil registrou 25.712 assassinatos no primeiro semestre de 2020, uma alta de 7,1% em relação ao mesmo período de 2019. Isso equivale a uma pessoa morta por meios violentos a cada 10 minutos. Os dados foram divulgados neste domingo, dia 18, pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

O estudo surpreende porque o aumento ocorreu em meio à pandemia do novo coronavírus, na qual os grandes centros urbanos restringiram a circulação da população e o funcionamento dos comércios. E vem após duas quedas anuais: De 2017 a 2018, de menos 10,8%; e de 2018 a 2019, de menos 17,7%.

Os dados foram compilados das secretarias de segurança pública estaduais e avaliam o índice de “morte violenta intencional”, que contempla os registros de  homicídio doloso, latrocínio, lesão seguida de morte e morte decorrente de intervenção policial.

O aumento foi puxado pelos casos de homicídio doloso (8%) e mortes causadas por ações policial (6%), enquanto latrocínio (-13%) e lesão seguida de morte (-8%) caíram. O número de policiais assassinados também subiu 20%.

“O Brasil perdeu, entre 2019 e 2020, uma grande oportunidade de transformar a tendência de redução das mortes violentas intencionais observada entre 2018 e meados de 2019 em algo permanente. O Brasil perdeu-se em múltiplas narrativas políticas em disputa”, escreveram David Marques e Betina Barros, coordenadores do Fórum.

Com um crescimento de 96,6% de assassinatos, o estado do Ceará liderou a estatística de mortes violentas, acompanhado pelo Espírito Santo (18,5%) e Alagoas (15,1%). Os dados refletem a crise de segurança pública pela qual passou o estado no início de 2020, com a greve da Polícia Militar que durou treze dias.

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