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Em meio à pandemia, estado do Rio ganhará hospital só com UTIs

Construída pela Fiocruz, a unidade, que receberá pacientes graves e será referência em ensaios clínicos, funcionará mesmo após a epidemia de coronavírus

Por Sofia Cerqueira Atualizado em 23 abr 2020, 22h28 - Publicado em 23 abr 2020, 12h21

Pelo menos um dos hospitais erguidos a toque de caixa no Rio de Janeiro para enfrentar a Covid-19 será incorporado à rede de saúde após a pandemia. Em fase adiantada de construção, a unidade ocupará um antigo campo de futebol no complexo da Fundação Oswaldo Cruz, em Manguinhos, Zona Norte da cidade, com 200 leitos exclusivos de UTI e tratamento semi-intensivo. O centro hospitalar, que, nesse primeiro momento, receberá apenas pacientes graves infectados pelo novo coronavírus, se transformará em um ponto de referência para doenças infectocontagiosas e o enfrentamento de novas epidemias. O projeto, previsto para estar concluído até o fim de maio, contempla respiradores mecânicos em todos os quartos. A Fiocruz afirma já ter parte destes aparelhos e que o restante será fornecido pelo Ministério da Saúde. “Não é um hospital de campanha. Será uma unidade de ponta onde teremos condições de focar toda a nossa capacidade técnica em prol da população em momentos críticos”, ressalta Valdiléa Veloso, diretora do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, da Fiocruz.

A expectativa é que o local se transforme em uma dos maiores complexos de UTIs da América Latina. Além de reduzir a sobrecarga no sistema público de saúde do estado do Rio, o Centro Hospitalar para a Pandemia de Covid-19 – Instituto Nacional de Infectologia, como será batizado, terá outro papel fundamental: o local será referência no país na realização de testes clínicos para o coronavírus. Designada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para coordenar no Brasil o ensaio clínico Solidariedade (Solidarity), a Fiocruz investigará a eficácia de quatro medicamentos para a Covid-19. A iniciativa, que visa dar uma resposta rápida sobre que remédios já existentes são eficazes no tratamento da nova doença, contempla ainda 18 hospitais de 12 estados, com o apoio do Departamento de Ciência e Tecnologia (Decit) do Ministério da Saúde. Para que uma droga seja referendada como eficaz é preciso que milhares de pacientes participem dos testes das drogas.

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O novo hospital terá um custo de cerca de 140 milhões de reais, que estão sendo alocados a partir de recursos extraordinários do Ministério da Saúde. Na corrida contra o tempo, o canteiro de obras tem funcionado 24 horas por dia. Em março, a Fundação fez um edital de convocação para o preenchimento de 1.030 vagas destinadas a médicos, enfermeiros intensivistas, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, entre outros, que trabalharão no local. “Boa parte já foi preenchida. Teremos uma infraestrutura que pode fazer a diferença mesmo depois da pandemia, aliando pesquisa e atendimento”, diz Marco Krieger, vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz. Com quartos equipados com pressão negativa (o ambiente não contamina o do lado e vice-versa), a unidade poderá receber na pós-epidemia, por exemplo, pacientes com tuberculose e portadores de HIV.

Em funcionamento, o Centro Hospitalar para a Pandemia de Covid-19 não oferecerá atendimento à demanda espontânea. O acesso de pacientes se dará pelo sistema de regulação de vagas do Estado do Rio. A unidade se junta ao esforço do governo estadual para ampliar a estrutura de atendimento aos pacientes com coronavírus. No total, entre capital, Região Metropolitana e interior do estado, estão sendo construídos nove hospitais de campanha que somarão 2.000 mil leitos, sendo 580 deles de UTI.

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