Assine VEJA por R$2,00/semana
Publicidade

Em início preocupante, Teich atrasa a entrega de equipamentos anunciados

Kits de UTIs e respiradores ainda não chegaram às localidades que registram aumentos do número de casos de coronavírus

Por Mariana Zylberkan 27 abr 2020, 19h28

Empossado há cerca de uma semana, o ministro da Saúde, Nelson Teich, está sendo criticado por secretários estaduais de Saúde pela demora na entrega de equipamentos essenciais ao atendimento de pacientes graves de coronavírus, que acusam o ministério de “paralisia gerencial”. “A sensação é de abandono. Há um abismo entre o que é anunciado e o que de fato chega aos estados”, diz o presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), Alberto Beltrame.

Um dos atrasos mais preocupantes é o da entrega dos 2.000 kits de UTIs, anunciados pelo ministério há cerca de um mês no início da pandemia no país, ainda sob a gestão do ex-ministro Luiz Henrique Mandetta. Até agora, segundo dados do próprio ministério, só foram distribuídos 17% dos equipamentos prometidos.

A pasta também ainda não fez chegar nos estados os 14.100 respiradores que custaram 658,5 milhões de reais aos sofres do ministério. Até o momento, 230 equipamentos foram distribuídos, menos de 2% do divulgado por Teich. Há previsão de que cerca de 1.000 respiradores comecem a ser entregues a partir do próximo mês.

Em relação aos 3 milhões de testes rápidos a serem aplicados de forma geral – e não apenas aos agentes de saúde e de segurança -, um dos primeiros anúncios de Teich logo após ter sido nomeado ministro, nenhum foi enviado a estados e municípios. O ministério anunciou que as entregas serão feitas a partir da próxima semana.

Os kits de UTI são essenciais para aumentar a capacidade de atendimento nos estados que não dispõem de leitos de emergência, como na Região Norte do país, onde está o segundo município com maior número de mortes pelo Covid-19. Manaus (AM) registrou até esta segunda-feira, 27, 100,9 óbitos por 1 milhão de habitantes. Em primeiro lugar está Fortaleza (CE), com 102,1 mortes na mesma proporção. Segundo dados do ministério, Ceará e Amazonas ainda não receberam nenhum kit. Os estados contemplados com o maior número de equipamentos até o momento foram São Paulo (80), Rio de Janeiro (40) e Minas Gerais (50).

Continua após a publicidade

De acordo com Beltrame, os estados têm conseguido aumentar a capacidade de atendimento graças a doações de empresas privadas. “Não há mais  nenhum diálogo com o ministério”, diz.

Teich tem sido criticado pela falta de sensibilidade em relação à urgência de saúde pública imposta pela pandemia. Ele tem se dedicado, segundo interlocutores, a criar planilhas de custos e estabelecer critérios para entender onde estão os focos de infecção no país. O Ministério da Saúde, sob a sua gestão, passou a divulgar a proporção de casos confirmados de coronavírus por municípios de acordo com o índice populacional. Foi anunciado, por exemplo, que a maior parte das cidades pequenas com até 49 mil habitantes não tem registros da doença.

Teich foi nomeado para comandar o Ministério da Saúde após uma série de desentendimentos entre Jair Bolsonaro e o ex-ministro Mandetta. O presidente é contrário à política de isolamento social imposta pelos estados na tentativa de frear a curva de infectados e, assim, evitar o colapso na saúde pública. Nesta segunda-feira, Teich voltou a afirmar que não irá fazer mudanças bruscas para determinar o fim da quarentena nas localidades onde há maior número de casos.

Até esta segunda-feira, foram registrados 66.501 casos confirmados de coronavírus no país e 4.543 mortes.

Continua após a publicidade

Publicidade

Essa é uma matéria exclusiva para assinantes. Se você já é assinante faça seu login

Essa é uma matéria exclusiva para assinantes. Se você já é assinante faça seu login

Acesse com Vivo
O Brasil está mudando. O tempo todo.

Acompanhe por VEJA e também tenha acesso aos conteúdos digitais de todos os outros títulos Abril*
Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique.

MELHOR
OFERTA

Digital Completo
Digital Completo

Acesso digital ilimitado aos conteúdos dos sites e apps da Veja e de todas publicações Abril: Veja, Veja SP, Veja Rio, Veja Saúde, Claudia, Superinteressante,
Quatro Rodas, Você SA e Você RH.

a partir de R$ 2,00/semana*

ou

Impressa + Digital
Impressa + Digital

Plano completo de VEJA. Acesso ilimitado aos conteúdos exclusivos em todos formatos: revista impressa, site com notícias 24h e revista digital no app (celular/tablet).

Colunistas que refletem o jornalismo sério e de qualidade do time VEJA.

Receba semanalmente VEJA impressa mais Acesso imediato às edições digitais no App.



a partir de R$ 39,90/mês

*Acesso digital ilimitado aos sites e às edições das revistas digitais nos apps: Veja, Veja SP, Veja Rio, Veja Saúde, Claudia, Superinteressante, Quatro Rodas, Você SA e Você RH. * Pagamento anual de R$ 96, equivalente a R$ 2 por semana.