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Em greve, PF faz operação-padrão em portos e aeroportos

Paralisação chega ao 3º dia com intensificação da checagem de documentos e malas - o que causa filas e atrasa voos. Emissão de passaporte segue suspensa

A greve nacional dos policiais federais entra no terceiro dia nesta quinta-feira com a intensificação da checagem de documentos e bagagens de passageiros em portos e aeroportos de todo o país – a chamada operação-padrão. A Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) estima que chegue a 80% a adesão de agentes, escrivães e papiloscopistas à paralisação, de um total de 9.000 servidores. Apenas os serviços essenciais estão mantidos. De acordo com o Sindicato dos Policiais Federais no estado do Paraná (Sinpef/PR), a operação-padrão no aeroporto internacional Afonso Pena, em Curitiba, foi iniciada às 6 horas da manhã desta quinta-feira e terminou por volta das 11 horas. Durante a fiscalização da PF, foram apreendidas 6.000 cápsulas de ecstasy com um passageiro que seguia para Belo Horizonte.

Embora a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) tenha afirmado que o movimento no aeroporto era considerado normal, até as 11 horas da manhã foram registrados atrasos e cancelamentos em 77% dos voos. De 45 decolagens programadas até o horário, 24 tiveram atrasos e 11 foram canceladas.

No aeroporto Eduardo Gomes, em Manaus, a operação também começou pela manhã, mas até as 11 horas, dos 23 voos programados, havia apenas um cancelamento e nenhum atraso.

Em São Paulo, está marcada para as 16h30 o início da operação-padrão no aeroporto de Cumbica, em Guarulhos. O procedimento pode causar filas e atrasos. Normalmente, a checagem é feita por amostragem somente em alguns voos. No porto de Santos, no litoral paulista, também acontecerá a operação nesta quinta-feira.

Segundo a Fenapef, durante a tarde, será realizado o procedimento nos aeroportos de Brasília, Cuiabá, Rio de Janeiro e Vitória. A emissão de passaportes continua suspensa, sendo feita apenas em casos de emergência como em situações de doença, morte de familiar ou viagens já programadas.

Manifestações devem acontecer no Acre, Alagoas, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Piauí e Sergipe. A categoria reivindica a reestruturação da carreira, aumento salarial e a saída do diretor-geral da PF, Leandro Daiello.

No Rio de Janeiro, uma manifestação de entidades que representam os servidores públicos federais fechou por mais de uma hora a Avenida Rio Branco, no centro, no fim da manhã desta quinta-feira. A passeata, com cerca de 600 servidores, reivindicava melhores salários e condições de trabalho. Os servidores dizem que permanecerão acampados na Cinelândia até que o governo aceite negociar. Segundo a polícia militar, não há registro de confrontos nem outros problemas além do trânsito.

Governo – Acuado por parte do funcionalismo público em greve, o governo desencadeou uma operação para esvaziar o movimento, que se espalhou por vários estados, expôs um ministro do núcleo próximo da presidente Dilma Rousseff a vaias e levou o conflito para as portas do Palácio do Planalto.

Na quarta-feira, após um dia de manifestações pelo país, o governo sinalizou que vai atender a pelo menos parte das reivindicações. A ministra do Planejamento, Miriam Belchior, afirmou que o governo ainda está finalizando as contas para ver que tipo de reajuste será possível apresentar aos servidores que estão em operação-padrão ou de braços cruzados.

“Preferimos uma análise mais detida para apresentar uma proposta responsável aos servidores”, declarou a ministra, depois de repetir o discurso do governo sobre as dificuldades em consequência da crise econômica internacional. “Iniciamos o ano com uma perspectiva melhor do que ocorreria com a economia. Em maio, junho, o que se viu foi um cenário nublado, muito difícil, que fez com que o governo tivesse de refazer suas contas.”

Balanço – Também na quarta, os policiais federais se uniram, em Brasília, às manifestações dos outros servidores públicos em greve e foram recebidos pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e pelo secretário de Relações do Trabalho do Ministério do Planejamento, Sérgio Mendonça, em reuniões separadas.

No Rio de Janeiro, a paralisação dos agentes da PF causou filas de passageiros nos guichês do Aeroporto Internacional Tom Jobim, na Ilha do Governador. Na ponte Rio-Niterói, uma fiscalização da Polícia Rodoviária Federal , também em greve, complicou o trânsito nos dois sentidos a partir das 13h.

A travessia chegou a demorar uma hora e meia. Programada para se estender até às 16 horas, a manifestação terminou às 15 horas, depois que uma pessoa passou mal dentro de um dos veículos parados devido ao congestionamento.

(Com Agência Estado)