Clique e Assine por apenas R$ 0,50/dia

Eduardo Campos emplaca Geraldo Julio e derrota Lula

Candidato do PSB em Recife obteve 51,14% dos votos e vence no 1º turno. O petista Humberto Costa, imposto pelo ex-presidente, terminou em 3º lugar

Por Laryssa Borges 7 out 2012, 19h47

Em uma espécie de aquecimento para a campanha presidencial de 2014, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), evidenciou sua força política ao garantir neste domingo, com larga vantagem, a vitória de seu candidato, Geraldo Julio (PSB), no primeiro turno nas eleições pela prefeitura do Recife. O socialista conquistou 51,14% dos votos dos pouco mais de 1,1 milhão de eleitores recifenses.

Aliado histórico do PT (desde 1989 o PSB apoia as candidaturas petistas), Campos utilizou um desconhecido secretário de governo para desbancar o ex-ministro Humberto Costa, que ficou apenas na terceira colocação. O neotucano Daniel Coelho, egresso do PV, atingiu a segunda colocação na preferência do eleitorado com 27,66%.

Embora ainda se mantenha como aliado do governo federal – o PSB mantém o Ministério da Integração Nacional e a Secretaria de Portos na gestão Dilma Rousseff – Eduardo Campos já começa a construir, com vitórias emblemáticas, como a do Recife, sua projeção em nível nacional. Aproveitando-se de um vácuo na oposição, que vem perdendo forças no Congresso Nacional, em Brasília, Campos inicia ainda esta noite a construção de cenários onde aliados estão em dificuldade no segundo turno. Ele pretende viajar aos palanques prioritários e atuar como puxador de votos.

Mesmo com o fim da dobradinha PT-PSB no Recife, o governador pernambucano diz que os socialistas continuam aliados do governo Dilma Rousseff. “Já disputamos outras eleições contra o PT e depois sentamos à mesa. Temos um projeto nacional e um projeto no estado que nos une. Depois da eleição pode ficar uma rusga aqui ou acolá, mas vamos procurar olhar para frente”, afirmou ele neste domingo.

Ao longo de todo o dia, pesquisas internas do PSB já davam vitória a Geraldo Julio. Em um dos trackings, quando ouvidas 4 500 pessoas, o socialista computava 55% dos votos.

Derrocada petista – O pífio desempenho do senador Humberto Costa, que assumiu uma trajetória descendente na preferência do eleitorado na reta final da campanha, coloca em xeque a tese de que o ex-presidente Lula é um exímio articulador político. Depois de um racha no PT em maio, com troca de acusações nas prévias do partido, Lula impôs o nome de Humberto Costa, petista histórico, como candidato à prefeitura. Com a acirrada disputa em São Paulo, onde o PT teve de se empenhar para alavancar a candidatura do ex-ministro Fernando Haddad, Lula, no entanto, deixou de lado a campanha ao executivo recifense e, mesmo tendo prometido, sequer apareceu para comícios ou carreatas na capital. Para não melindrar Eduardo Campos, cujo partido integra seu governo, a presidente Dilma Rousseff sequer gravou participação no programa eleitoral de Humberto Costa. O petista terminou a campanha com 17,43%.

Continua após a publicidade
Publicidade