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‘É uma das maiores crises humanitárias do país’, diz Damares sobre mortes de Yanomamis

Comissão quer investigar o que foi feito com verba bilionária que deveria ajudar os Yanomamis

Por Robson Bonin Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 21 ago 2026, 07h01 | Atualizado em 21 ago 2026, 14h47
‘É uma das maiores crises humanitárias do país’, diz Damares sobre mortes de Yanomamis Priorizar nos meus resultados Google

Na edição de VEJA que está nas bancas, o Radar mostra que o avanço das mortes na terra Yanomami, no atual governo Lula, é tratado em Brasília como “crise humanitária” a envolver tanto o Congresso quanto o STF na discussão de ações.

Uma comissão do Senado, liderada pela senadora Damares Alves, que obteve os dados do governo Lula, quer investigar se a gestão petista desviou o dinheiro que deveria ser usado para proteger os Yanomami. Foram mais de 2 bilhões de reais no atual mandato de Lula, mas parte da verba sumiu misteriosamente, segundo a senadora.

“A nossa principal missão é fiscalizar de forma rigorosa e perguntar com clareza: onde está esse dinheiro, como ele foi efetivamente executado e por que esses recursos ainda não se traduziram em saúde, segurança e dignidade real para o povo Yanomami”, diz Damares.

Para a senadora, a crise Yanomami na gestão petista é uma das questões mais urgentes na agenda nacional: “O que mais nos preocupa é ver anúncios de bilhões de reais em recursos enquanto a realidade nas aldeias continua desesperadora. Estamos diante de uma das maiores crises humanitárias do nosso país”.

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A violência também é fator determinante na crise. Sob Bolsonaro, 651 indígenas foram assassinados nos três primeiros anos de governo. Com Lula, o número de mortos subiu para 677 no mesmo período, segundo o Cimi.

ATUALIZAÇÃO, 14h45 — O governo Lula enviou a seguinte nota ao Radar sobre a situação dos Yanomamis na Amazônia:

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O Governo Federal considera grave a divulgação de análises inverídicas sobre a situação na Terra Indígena Yanomami a partir de dados apresentados sem a devida contextualização epidemiológica, histórica e operacional.

A comparação entre períodos é especialmente problemática porque desconsidera que, entre 2019 e 2022, houve grave deterioração da assistência à saúde, com subnotificação de adoecimentos e óbitos. A rede chegou a um nível de precariedade que comprometia a própria capacidade do Estado de identificar e registrar mortes, com unidades e polos-base fechados ou destruídos e comunidades sem atendimento regular. Desde 2023, foram ampliados o atendimento, a busca ativa, os diagnósticos e a vigilância epidemiológica. Comparar registros desses períodos como se fossem equivalentes produz uma conclusão enganosa. Também distorce a realidade o uso de uma imagem de 2023 para ilustrar uma situação atual.

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Os dados mais recentes mostram evolução concreta: o número de óbitos caiu 29,5% entre o primeiro semestre de 2023 e o mesmo período de 2026, de 224 para 158 registros. No mesmo intervalo, foram zeradas as mortes por malária, enquanto os óbitos por desnutrição caíram 75,7% e por infecção respiratória aguda, 40,8%. As doses de vacinas praticamente dobraram, de 11.273 para 20.267, a proporção de crianças menores de um ano com esquema vacinal completo passou de 28% para 57,6% e o acompanhamento nutricional chegou a 84%.

Esses resultados decorrem de uma operação permanente, com atuação de mais de 20 órgãos federais. O número de profissionais de saúde mais que triplicou, de 690 para mais de 2,1 mil. Foram reabertos sete polos-base e hoje estão em funcionamento os 37 polos-base, as 40 Unidades Básicas de Saúde e o Centro de Referência de Surucucu, destinado ao atendimento de casos mais graves no próprio território.

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Também é incorreto afirmar que a realidade permanece a mesma. Entre março de 2024 e agosto de 2026, houve redução de cerca de 99% na abertura de novas áreas de garimpo na Terra Indígena Yanomami. No mesmo período, as operações impuseram prejuízo estimado em R$ 768 milhões à atividade ilegal. Desde 2023, foram distribuídas mais de 205 mil cestas de alimentos, paralelamente à recuperação da produção tradicional, do acesso à água e da autonomia alimentar das comunidades.

Os recursos mobilizados pelo Governo Federal financiam ações de saúde, segurança, proteção territorial, fiscalização ambiental, logística e assistência às comunidades. A atual gestão tem atuado com transparência e prestação de contas. O STF encerrou por unanimidade a ADPF 709 ao reconhecer o cumprimento das medidas determinadas. Os créditos extraordinários, que totalizam R$ 1,8 bilhão e foram aprovados pelo Congresso Nacional, tiveram os recursos empenhados e vinculados às ações previstas. Gestores federais também prestaram esclarecimentos ao Senado, atendendo a convite da Subcomissão Yanomami.

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Portanto, não há qualquer elemento que sustente suspeitas sobre a destinação dos recursos. Eventuais irregularidades devem ser demonstradas por fatos concretos e apuradas pelos órgãos competentes, não por insinuações.

Com a presença permanente do Estado e o monitoramento ampliado, os dados mostram uma mudança concreta: a assistência à saúde foi reconstruída, o garimpo foi drasticamente reduzido e os indicadores de saúde melhoraram de maneira expressiva. A situação no Território Yanomami ainda exige atenção contínua, e o Governo Federal seguirá atuando de forma integrada em saúde, proteção territorial e das comunidades, segurança alimentar, enfrentamento às atividades ilegais e recuperação da autonomia dos povos Yanomami.

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