‘É uma das maiores crises humanitárias do país’, diz Damares sobre mortes de Yanomamis
Comissão quer investigar o que foi feito com verba bilionária que deveria ajudar os Yanomamis
Na edição de VEJA que está nas bancas, o Radar mostra que o avanço das mortes na terra Yanomami, no atual governo Lula, é tratado em Brasília como “crise humanitária” a envolver tanto o Congresso quanto o STF na discussão de ações.
Uma comissão do Senado, liderada pela senadora Damares Alves, que obteve os dados do governo Lula, quer investigar se a gestão petista desviou o dinheiro que deveria ser usado para proteger os Yanomami. Foram mais de 2 bilhões de reais no atual mandato de Lula, mas parte da verba sumiu misteriosamente, segundo a senadora.
“A nossa principal missão é fiscalizar de forma rigorosa e perguntar com clareza: onde está esse dinheiro, como ele foi efetivamente executado e por que esses recursos ainda não se traduziram em saúde, segurança e dignidade real para o povo Yanomami”, diz Damares.
Para a senadora, a crise Yanomami na gestão petista é uma das questões mais urgentes na agenda nacional: “O que mais nos preocupa é ver anúncios de bilhões de reais em recursos enquanto a realidade nas aldeias continua desesperadora. Estamos diante de uma das maiores crises humanitárias do nosso país”.
A violência também é fator determinante na crise. Sob Bolsonaro, 651 indígenas foram assassinados nos três primeiros anos de governo. Com Lula, o número de mortos subiu para 677 no mesmo período, segundo o Cimi.
ATUALIZAÇÃO, 14h45 — O governo Lula enviou a seguinte nota ao Radar sobre a situação dos Yanomamis na Amazônia:
O Governo Federal considera grave a divulgação de análises inverídicas sobre a situação na Terra Indígena Yanomami a partir de dados apresentados sem a devida contextualização epidemiológica, histórica e operacional.
A comparação entre períodos é especialmente problemática porque desconsidera que, entre 2019 e 2022, houve grave deterioração da assistência à saúde, com subnotificação de adoecimentos e óbitos. A rede chegou a um nível de precariedade que comprometia a própria capacidade do Estado de identificar e registrar mortes, com unidades e polos-base fechados ou destruídos e comunidades sem atendimento regular. Desde 2023, foram ampliados o atendimento, a busca ativa, os diagnósticos e a vigilância epidemiológica. Comparar registros desses períodos como se fossem equivalentes produz uma conclusão enganosa. Também distorce a realidade o uso de uma imagem de 2023 para ilustrar uma situação atual.
Os dados mais recentes mostram evolução concreta: o número de óbitos caiu 29,5% entre o primeiro semestre de 2023 e o mesmo período de 2026, de 224 para 158 registros. No mesmo intervalo, foram zeradas as mortes por malária, enquanto os óbitos por desnutrição caíram 75,7% e por infecção respiratória aguda, 40,8%. As doses de vacinas praticamente dobraram, de 11.273 para 20.267, a proporção de crianças menores de um ano com esquema vacinal completo passou de 28% para 57,6% e o acompanhamento nutricional chegou a 84%.
Esses resultados decorrem de uma operação permanente, com atuação de mais de 20 órgãos federais. O número de profissionais de saúde mais que triplicou, de 690 para mais de 2,1 mil. Foram reabertos sete polos-base e hoje estão em funcionamento os 37 polos-base, as 40 Unidades Básicas de Saúde e o Centro de Referência de Surucucu, destinado ao atendimento de casos mais graves no próprio território.
Também é incorreto afirmar que a realidade permanece a mesma. Entre março de 2024 e agosto de 2026, houve redução de cerca de 99% na abertura de novas áreas de garimpo na Terra Indígena Yanomami. No mesmo período, as operações impuseram prejuízo estimado em R$ 768 milhões à atividade ilegal. Desde 2023, foram distribuídas mais de 205 mil cestas de alimentos, paralelamente à recuperação da produção tradicional, do acesso à água e da autonomia alimentar das comunidades.
Os recursos mobilizados pelo Governo Federal financiam ações de saúde, segurança, proteção territorial, fiscalização ambiental, logística e assistência às comunidades. A atual gestão tem atuado com transparência e prestação de contas. O STF encerrou por unanimidade a ADPF 709 ao reconhecer o cumprimento das medidas determinadas. Os créditos extraordinários, que totalizam R$ 1,8 bilhão e foram aprovados pelo Congresso Nacional, tiveram os recursos empenhados e vinculados às ações previstas. Gestores federais também prestaram esclarecimentos ao Senado, atendendo a convite da Subcomissão Yanomami.
Portanto, não há qualquer elemento que sustente suspeitas sobre a destinação dos recursos. Eventuais irregularidades devem ser demonstradas por fatos concretos e apuradas pelos órgãos competentes, não por insinuações.
Com a presença permanente do Estado e o monitoramento ampliado, os dados mostram uma mudança concreta: a assistência à saúde foi reconstruída, o garimpo foi drasticamente reduzido e os indicadores de saúde melhoraram de maneira expressiva. A situação no Território Yanomami ainda exige atenção contínua, e o Governo Federal seguirá atuando de forma integrada em saúde, proteção territorial e das comunidades, segurança alimentar, enfrentamento às atividades ilegais e recuperação da autonomia dos povos Yanomami.







