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‘É um golpe’, diz vice-procuradora da República sobre impeachment

Número dois de Rodrigo Janot, que participou de protesto anti-Temer, diz a VEJA que não gosta de ver o peemedebista como presidente do Brasil

Para a vice-procuradora-geral da República, Ela Wiecko Volkmer de Castilho, o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, agora em fase final no Senado, é golpe. Número dois de Rodrigo Janot, Ela Wiecko participou em junho passado, em Portugal, de uma manifestação que pedia “Fora Temer” e denunciava o suposto golpe em curso no Brasil. A participação da procuradora no ato foi revelada nesta terça-feira pelo site de VEJA. Em entrevista por telefone, ela disse ter ido ao ato como cidadã, e não como procuradora. Em seguida, reforçou a crítica ao processo contra Dilma: “Eu acho que, do ponto de vista político, é um golpe, é um golpe benfeito, dentro daquelas regras”.

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Recentemente, foi o marido de Ela Wiecko, Manoel Lauro Volkmer de Castilho, quem protagonizou outra polêmica. Ele era um dos principais assessores do ministro Teori Zavascki, relator dos processos do petrolão no Supremo Tribunal Federal, e acabou obrigado a pedir demissão após a descoberta de que assinara um manifesto em favor do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A VEJA, Ela Wiecko disse que não está satisfeita com a chegada de Michel Temer à Presidência da República. E, cometendo uma inconfidência, ela explica um dos motivos de sua resistência ao peemedebista: o fato de ele estar entre os alvos das delações premiadas em tramitação na Procuradoria-Geral da República. “Eu estou incomodada com essas coisas que estão acontecendo no Brasil. Acho que não foi da melhor forma possível. E pelas coisas que a gente sabe do Temer, não me agrada ter o Temer como presidente. Não me agrada mesmo. Ele não está sendo delatado? Eu sei que está. Eu não sei todas as coisas a respeito das delações, mas eu sei que tem delação contra ele”. A seguir, a entrevista.

Em um vídeo a senhora aparece numa manifestação que chama o processo de impeachment de golpe. O que a senhora pode dizer a respeito?
Eu estava de férias, em um curso como estudante. É isso.

Há quem considere que é difícil dissociar a posição de vice-procuradora geral da República de uma situação como essa.
Eu não posso falar nada? Não posso ter nenhuma liberdade de manifestação? (Isso) é um pouco exagerado, né? E eu fui discreta, eu estava junto (dos manifestantes), não tive nenhum protagonismo maior. Eu estava de férias. (Isso) é um patrulhamento que impede a pessoa de ser o que ela é, de pensar.

A senhora partilha da opinião de que o processo de impeachment é um golpe?
Eu acho que, do ponto de vista político, é um golpe, é um golpe benfeito, dentro daquelas regras. Isso a gente vê todo dia, é parte da política.

Seria, então, um  golpe com participação da Suprema Corte e da própria Procuradoria-Geral da República, da qual a senhora faz parte?
Aí tem que ser uma conversa muito mais comprida.

Mas a senhora vê irregularidades no processo?
Você está me perguntando como procuradora da República ou como cidadã? Eu posso falar até claramente, mas não vou falar por telefone.

A senhora se arrepende de ter participado do ato?
Não, não me arrependo.

Havia outras autoridades ali?
Não. Eu estava ali como estudante, de férias. É um curso de verão, de sociologia jurídica, com o professor Boaventura. Tinha gente de outros países também.

A ideia de fazer a manifestação surgiu na sala de aula?
Eu não fui a organizadora.

Como a senhora recebe a repercussão dessa situação? Isso a constrange dentro do Ministério Público?
Tem muita gente que pensa como eu dentro da instituição. Eu estou incomodada com essas coisas que estão acontecendo no Brasil. Acho que não foi da melhor forma possível. E pelas coisas que a gente sabe do Temer, não me agrada ter o Temer como presidente. Não me agrada mesmo. Ele não está sendo delatado? Eu sei que está. Eu não sei todas as coisas a respeito das delações, mas eu sei que tem delação contra ele. Então, não quero. Mas as coisas estão indo.

O que a senhora pensa do Temer exatamente?
Eu vou cortar a conversa aqui. Se quiser conversar comigo, tem que conversar olho no olho. Não vou ficar falando por telefone.

A senhora pode nos receber?
Vou ver como está minha agenda, porque estou com muitos compromissos. Agora mesmo estou indo para uma sessão no STJ (Superior Tribunal de Justiça). Não sei a que horas vai terminar.

Comentários

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  1. Agnaldo Gomes

    “Fora De Si
    eu fico louco
    eu fico fora de si
    eu fica assim
    eu fica fora de mim
    eu fico um pouco
    depois eu saio daqui
    eu vai embora
    eu fico fora de si
    eu fico oco
    eu fica bem assim
    eu fico sem ninguém em mim”

    (arnaldo antunes)

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  2. Fulano de Tal

    O Estado totalmente aparelhado pelo PT. Janot, diga-me com quem andas e te direi quem és.

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  3. Roberto Mota

    Alguém falou de isenção? Ora, ora… O Gilmar Mendes, do STF e presidente do TSE toda hora está emitindo prejulgamentos fora do tribunal . A VEJA , aliás, deveria fazer a primeira entrevista com ele.

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  4. Bolsonaro 2018

    Cada comentário engraçado pae. Ninguém te perguntou nada! 😂😂😂😂😂😂😂😂

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  5. Robson Silva

    Escrevam aí: O Traidor Será Traído!

    O mesmo PSDB que armou toda a tremoia farsesca impingindo um golpe de estado parlamentar contra Dilma, está guardando munição pra derrubar Temer no início do ano que vem, e assim conseguirá derrubá-lo. E, em conformidade com o que preceitua o artigo 81 da Constituição Federal, vão empurrar, através de eleições indiretas via Congresso Nacional, um candidato do PSDB.
    Em janeiro de 2017 o 2º mandato do governo Dilma/Temer completará 2 anos. Precisa desenhar?

    “Art. 81. Vagando os cargos de Presidente e Vice-Presidente da República, far-se-á eleição noventa dias depois de aberta a última vaga.

    § 1º Ocorrendo a vacância nos últimos dois anos do período presidencial, a eleição para ambos os cargos será feita trinta dias depois da última vaga, pelo Congresso Nacional, na forma da lei.

    § 2º Em qualquer dos casos, os eleitos deverão completar o período de seus antecessores.

    § 1º Ocorrendo a vacância nos últimos dois anos do período presidencial, a eleição para ambos os cargos será feita trinta dias depois da última vaga, pelo Congresso Nacional, na forma da lei.”

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  6. Francisco Uchoa

    GOLPE.. É oq mais 600 canalhas vem fazendo com o povo da nossa nação. Golpe, é esses porcos da câmara e do senado, desviarem milhões e milhões ..dinheiro esse q seria ora evitar mortes precoces, educar nossas crianças, e alimentar os alunos pobres q não tem o q comer em casa. E com tudo isso, praticamente tds saem ilesos, pq os que jugam esses canalhas, tbm se entrelaçam no mesmo chiqueiro

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  7. Francisco Uchoa

    Esse janot ..deixou bem claro..vcs brasileiros…ou melhor nós, Tamos fu…

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  8. Paulo Santos

    Olha que não sou exigente e nem tenho idade de sê-lo, mas essa turma da oposição ao novo governo tomou feiol de concha e entrou na fila umas três vezes !!! Nisso temos que parabenizar o novo presidente. A primeira dama tomou doses cavalares de “embelezol” !!!

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