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‘É possível que tenha um mandante’, diz Bolsonaro sobre caso Marielle

O presidente, que foi vítima de um atentado no ano passado, afirmou: 'Eu também estou interessado em saber quem mandou me matar'

O presidente Jair Bolsonaro afirmou que “é possível” que o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) tenha mandantes e que espera que as investigações tenham chegado aos reais executores do crime. Na manhã desta terça-feira, 12, foram presos dois suspeitos do assassinato de Marielle e do motorista Anderson Gomes, o policial militar reformado Ronnie Lessa e o ex-PM Élcio Vieira de Queiroz. Eles foram denunciados pelo Ministério Público do Rio por homicídio qualificado e tentativa de homicídio de Fernanda Chaves, assessora que sobreviveu.

“É possível que tenha um mandante. Eu conheci a Marielle depois que ela foi assassinada. Eu não conhecia ela (antes), apesar de ser vereadora com meu filho (Carlos Bolsonaro) no Rio de Janeiro”, declarou o presidente. Bolsonaro falou com a imprensa em Brasília, após encontro e pronunciamento ao lado do presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez, que está no Brasil para sua primeira visita oficial.

O presidente ainda fez um comentário sobre o atentado sofrido por ele durante a campanha eleitoral no ano passado, cujo autor, Adélio Bispo, teria agido sozinho segundo inquérito da Polícia Federal. “Eu também estou interessado em saber quem mandou me matar”, disse.

Bolsonaro também declarou que não ficou surpreso com as prisões desta terça porque “não existe crime impossível” de ser solucionado. “Eu acredito que não existe crime impossível de ser solucionado, coisa rara. Agora que poderia chegar a um bom termo, eu acredito que sim”. Ele ainda comentou a foto em que aparece com o rosto parcialmente cortado ao lado de um dos acusados, Élcio Vieira de Queiroz. Feita em 2011, a imagem foi publicada pelo ex-PM em uma rede social. “Tenho foto com milhares de policiais civis e militares, com milhares, do Brasil todo“, afirmou o presidente.

Acusados

Segundo as investigações sobre a morte de Marielle Franco, o policial militar reformado Ronnie Lessa teria feito os disparos que mataram a vereadora e o motorista Anderson Gomes, enquanto o ex-PM Élcio Vieira de Queiroz dirigia o carro que levava o atirador.

A denúncia formulada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do MP-RJ classificou o crime como um “golpe ao Estado Democrático de Direito”.

O MP-RJ considera que o assassinato foi planejado de forma “meticulosa” nos três meses que antecederam as execuções. Além dos mandados de prisão, a chamada Operação Lume cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos dois acusados, para apreender documentos, telefones celulares, computadores, armas e acessórios.

Outro lado

Os advogados de Ronnie Lessa e Élcio Vieira de Queiroz negaram o envolvimento de seus clientes no caso. Logo após a prisão, Lessa e Queiroz receberam a visita dos defensores, na Delegacia de Homicídios, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. “O Élcio não estava nem nesse dia. Eu tenho certeza de que não tem foto dele no carro e muito menos gravação dele nesse dia lá. E tenho certeza de que a vítima que sobreviveu não vai reconhecer o meu cliente”, disse Luís Carlos Azenha, advogado do ex-policial militar.

O advogado de Lessa, Fernando Santana, disse que só conversou com seu cliente rapidamente depois da prisão e que ele nega a participação no crime. “Ele nega de forma veemente que tenha feito qualquer tipo de assassinato. Ainda vou ter acesso ao inquérito, não tive oportunidade de ter. Primeiro estava em segredo de Justiça, agora que nos peticionamos, eu e minha equipe, para poder ter ideia de como chegou à prisão do Ronnie Lessa”.

(Com Estadão Conteúdo)