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Duas maiores represas do Cantareira se tornam córrego

Com cerca de 72% menos água do volume morto nas represas Jaguari e Jacareí, o volume útil está com déficit de 9%, segundo especialista

Por Da Redação 26 ago 2014, 09h54

Quase três meses depois de a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) ter dado início à captação do volume morto do Sistema Cantareira, um grande trecho das represas Jaguari e Jacareí – que representam 82% da capacidade do manancial – virou um córrego. É por um estreito canal que cruza o solo rachado dos reservatórios, localizados entre as cidades de Bragança Paulista e Joanópolis, no interior paulista, que a Sabesp tem sugado a água que resta no manancial. O sistema inteiro conta com apenas 11,7% nesta terça-feira.

Nesta quinta-feira, metade dos 182,5 bilhões de litros da primeira cota da reserva profunda já terá deixado o sistema para abastecer cerca de 12 milhões de pessoas na Grande São Paulo e na região de Campinas. Só das duas maiores represas do Cantareira, a Sabesp já tinha retirado até esta segunda 72,3% do volume morto. Segundo o engenheiro Antonio Carlos Zuffo, diretor do Departamento de Recursos Hídricos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o uso da reserva emergencial deixou o volume útil – água represada acima do nível das comportas – desses reservatórios negativo em 9%.

Com o esvaziamento das maiores represas do sistema e o afunilamento do canal, a Sabesp diminui desde o dia 15 deste mês para cerca de 5.000 litros por segundo a vazão de água retirada de Jaguari-Jacareí, cerca de um quarto dos 19.300 litros retirados por segundo do Cantareira para a Grande São Paulo. A diminuição foi compensada com o início da captação da reserva profunda da represa Atibainha, em Nazaré Paulista.

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Até esta segunda, de acordo com o boletim diário do comitê anticrise que monitora o Cantareira, restavam nas cinco represas que formam o sistema 115,9 bilhões de litros, que representam 11,9% da capacidade do manancial, conforme medição feita pela Sabesp. Embora as obras tenham sido inauguradas no dia 15 de maio pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), ao custo de 80 milhões de reais, o bombeamento do volume morto teve início no dia 4 de junho.

No limite – “Os cálculos mostram que essa reserva deve acabar entre os dias 11 e 17 de novembro. A partir daí, será preciso captar água da segunda parcela do volume morto”, afirma Zuffo. A estimativa considera a permanência do baixo volume de água que entra no manancial observado nos últimos meses.

Na semana passada, a Sabesp pediu aos órgãos gestores do Cantareira autorização para retirar mais 106 bilhões de litros do volume morto. Segundo a estatal, a captação só será feita caso seja necessário e ficará restrita às represas Jaguari-Jacareí, que podem ficar com menos de 3% de todo o volume, incluindo o útil e o morto. A Sabesp gastou cerca de 13,3 milhões de reais para comprar mais 19 bombas para o volume morto.

Negócios – O cenário desanima quem trabalha na região e tinha a represa como um grande atrativo. “Para todos que ligam, a gente logo avisa que aquela represa do site não existe mais porque estamos na área do Cantareira”, afirma Sérgio José Bacci, gerente de uma pousada em Joanópolis. “Ainda não estamos sentindo tanto porque estamos na baixa temporada, mas muita gente já foi prejudicada.”

(Com Estadão Conteúdo)

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