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Doria tenta, mas não consegue convencer o papa a vir ao Brasil

Em viagem ao Vaticano, prefeito chegou a insistir com o pontífice, mas ele respondeu que era "difícil" rever os planos

Por Da redação Atualizado em 19 abr 2017, 12h40 - Publicado em 19 abr 2017, 12h17

O prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), se encontrou na manhã desta quarta-feira com o papa Francisco na Praça São Pedro, no Vaticano. O objetivo, segundo ele próprio alardeou nas redes sociais, era fazer o pontífice reconsiderar a decisão de não vir ao Brasil para a comemoração dos 300 anos de Nossa Senhora Aparecida, em outubro, além de pedir bençãos ao povo brasileiro. O prefeito chegou a lhe entregar de presente o livro Gênesis, do fotógrafo Sebastião Salgado, uma camisa da seleção autografada pelos jogadores e uma bandeira do Brasil. Diante do pedido, no entanto, o papa respondeu que seria “difícil” rever os planos.

Segundo Doria, ele ainda teria insistido com a Sua Santidade, dizendo que “difícil não era impossível”. “Ele sorriu. Ele, aliás, é uma figura sorridente. Mas não fez uma resposta definitiva. Mas eu deixei ali o pedido em nome do povo brasileiro. Humildade é algo que não falta a um papa, especialmente ao papa Francisco. Voltar atrás é prova de grandeza. E eu espero sinceramente que o papa possa revisar essa decisão”, contou o tucano em vídeo postado em sua página no Facebook. O prefeito estava acompanhado da mulher e da filha.

Em carta endereçada ao presidente Michel Temer, cujo teor foi divulgado nesta terça-feira pelo blog do colunista Gerson Camarotti, do portal G1, o papa Francisco recusou o convite para visitar o Brasil, citando no texto que “os mais pobres” são os que pagam o “preço mais amargo” em “soluções fáceis e superficiais para crises”. A declaração foi dada num momento em que o governo tenta emplacar a reforma da previdência, que já foi publicamente criticada pela Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). A correspondência era uma resposta a outra enviada por Temer no fim de 2016, na qual o líder da Igreja Católica era convidado formalmente para a celebração de Nossa Senhora Aparecida.

“Sei bem que a crise que o país enfrenta não é de simples solução, uma vez que tem raízes sócio-político-econômicas, e não corresponde à Igreja nem ao Papa dar uma receita concreta para resolver algo tão complexo. Porém não posso deixar de pensar em tantas pessoas, sobretudo nos mais pobres, que muitas vezes se veem completamente abandonados e costumam ser aqueles que pagam o preço mais amargo e dilacerante de algumas soluções fáceis e superficiais para crises que vão muito além da esfera meramente financeira”, diz trecho da carta revelada pelo portal.

O prefeito está em viagem na Europa desde a noite da última segunda-feira. Ele segue agora para Lisboa, onde participará do 5º Seminário Luso Brasileiro de Direito, na Faculdade de Direito da capital portuguesa. Ele deve voltar ao Brasil na manhã desta quinta-feira.

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