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Doria enfrenta novo protesto e oferece ‘flores do mal’ a petistas

Pelo segundo dia seguido, cicloativistas tentam oferecer flores ao prefeito pelos mortos nas marginais após aumento de velocidade nas vias decretado por ele

Por Da Redação Atualizado em 1 Maio 2017, 15h37 - Publicado em 1 Maio 2017, 14h40

O prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), foi novamente alvo de protesto de cicloativistas, que, como havia ocorrido no domingo, tentaram lhe entregar uma flor em protesto contra as mortes registradas após o aumento de velocidade nas marginais.

Doria reinaugurava a praça Ayrton Senna do Brasil, no Paraíso, de manhã, em homenagem aos 23 anos da morte do piloto, quando um militante a favor das ciclovias se dirigiu a ele com uma flor, mas foi contido por simpatizantes do prefeito, a maioria vestidos de verde e amarelo como o tucano, que vaiaram o manifestante.

No domingo, uma cicloativista entregou flores ao prefeito durante a inauguração da Japan House São Paulo, espaço dedicado à cultura japonesa, mas Doria, ao saber a razão do gesto, jogou a oferenda no chão.

O prefeito João Doria (PSDB) no momento em que é flagrado jogando flores que recebeu de uma cicloativista, na Avenida Paulista Renato S. Cerqueira/Futura Press/Folhapress

Nesta segunda-feira, após o novo protesto, o prefeito disse que oferecia aos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff as “flores do mal”. “Não será nenhum ativista, petista ou qualquer outro ‘ista’ que vai me colocar na parede. Nem com flores, nem com gritos”, afirmou. “As flores do mal eu dedico ao Lula, à Dilma e aos 14 milhões de desempregados do Brasil”, disse.

Depois, ele entregou flores a Viviane Senna, irmã do piloto e presidente do Instituto Ayrton Senna. “Essas são flores do bem, não foram entregues com ódio. Foram dadas com o coração”, afirmou.

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O psicólogo Gabriel Siqueira, que tentou entregar flor a Doria, disse ter sido agredido a bandeiradas por simpatizantes do prefeito. “As políticas da atual gestão, com aumento de velocidade e retirada das ciclovias, prejudicam a segurança de ciclistas e pedestres”, criticou o ativista, acrescentando que levou as flores em lembrança dos mortos em acidentes nas marginais.

Também empunhando flores, o professor Marcos de Luca disse que foi à praça em nome das mortes no trânsito da capital paulista. Segundo ele, Doria insiste em não reconhecer essas mortes como resultado dos novos limites de velocidade e adota um discurso de culpabilização das vítimas. “Se as velocidades fossem mais baixas, as fatalidades seria menores”, afirmou.

  • A Secretaria Municipal de Transportes vem organizando estudos e avaliações das ciclovias da cidade – algumas são inseguras e ineficazes, de acordo com a pasta. “Haverá uma readequação das ciclovias de São Paulo. De forma nenhuma, o prefeito é contra as ciclovias”, diz a assessoria. Uma das ciclovias que podem sair do mapa urbano é a da Rua Consolação, considerada perigosa pela pasta. A implantação de ciclovias foi uma das principais bandeiras da gestão anterior, de Fernando Haddad (PT).

    Na última quarta-feira, Doria convocou entrevista coletiva para reiterar que as mortes recentes nas Marginais Tietê e Pinheiros não têm relação com o aumento de velocidade nas vias. “Nenhum dos acidentes até aqui têm relação direta com o aumento da velocidade na via expressa. Todos, lamentavelmente, foram por imprudência”.

    (Com Estadão Conteúdo)

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