Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Disparo que matou menino de 10 anos foi feito por policial da Rocam

Conclusão está no exame de balística entregue à Polícia Civil que investiga se o agente da PM agiu em legítima defesa ou se executou o garoto

O tiro que matou o menino Ítalo, de 10 anos, enquanto ele fugia da PM em um carro roubado na Zona Sul de São Paulo, partiu da pistola .40 do agente da Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas (Rocam) que estava do lado direito do veículo. É o que mostra o exame de balística entregue ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que investiga se o policial agiu em legítima defesa ou se executou o garoto. Havia dúvidas da onde teria vindo o tiro fatal, uma vez que outro policial também disparou durante a abordagem.

Segundo o advogado que defende os seis policiais que participaram da ação, Marcos Manteiga, o motociclista da PM atirou após ter visto um clarão vindo de dentro do carro. O outro agente efetuou o disparo de frente ao veículo. Ele havia atravessado uma viatura no meio da pista, para impedir que o garoto prosseguisse em fuga, e se protegia na dianteira de um caminhão, que acabou sendo abalroado pelo carro conduzido pelo menor.

Leia também:

Perícia não confirma que menino disparou contra PM, diz TV

Áudios obtidos do Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) mostram um PM, que acompanhava a ocorrência, dizendo “jogou para cima” a seus colegas. De acordo com o advogado, o jargão é usado por policiais para alertar que criminosos estão disparando contra eles. O menino foi encontrado morto com um revólver calibre 38 nas mãos. A Polícia Civil apura se o garoto, de fato, portava a arma ou se ela foi ‘plantada’ na cena do crime.

Afastados das ruas, os seis PMs (quatro já prestaram depoimento ao DHPP) cumprem expediente administrativo na Corregedoria da corporação desde esta segunda-feira. Segundo o advogado, eles passam o dia, das 9h às 18h, em uma sala sendo filmados e sem acesso a celulares. Manteiga classificou a medida como uma “prisão velada” e “abuso de autoridade” por parte da Corregedoria.