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Diretor vê impaciência empresarial com saldo da Rio+20

Por Da Redação - 19 jun 2012, 16h22

Por Mariana Durão

Rio – O setor privado global terá assumido cerca de 300 compromissos (entre individuais e coletivos) ao fim da Rio+20. A conferência foi a primeira em que a indústria e o setor financeiro tiveram participação relevante, avalia Georg Kell, diretor executivo do Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU).

“A indústria quer ver o maior progresso possível (nas negociações da Rio+20). Alguns líderes empresariais estão impacientes com o que os governos conseguiram até agora”, admitiu Kell, quando indagado sobre o texto zero da Rio+20, que será entregue na quarta-feira aos chefes de Estado.

Mais de 800 líderes de companhias multinacionais estão reunidos nesta terça-feira no Business Day, no Rio, para discutir como avançar em termos de boas práticas sociais, ambientais e de governança. Segundo Kell, o entendimento dos empresários é que sob nenhuma circunstância o mundo corporativo deve esperar os governos agirem para avançar em temas de sustentabilidade, como a inclusão do capital natural na contabilidade das empresas.

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O presidente do Wordl Business Council for Sustainable Development (WBCSD), Peter Bakker, destacou que será fundamental estreitar os diálogos entre setor público e privado no que tange aos chamados Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), após a Rio+20.

“Vamos tentar desenvolver as metas juntos porque a implementação disso (dos ODS) em grande parte dependerá do setor privado. Então terão que ser traduzidos como objetivos para os diferentes setores (da indústria)”, disse Bakker. Ele lembrou que hoje as companhias privadas respondem por mais de 50% do PIB mundial, o que elevou sua importância em relação a 20 anos atrás.

A avaliação dos empresários e do Pacto Global é que houve uma mudança de patamar em relação à Eco-92, quando boa parte das companhias não sabia do que se tratava o conceito de sustentabilidade. “Agora todos estão integrando a sustentabilidade a seus negócios. O Rio (a Rio+20) é um momento no tempo para governos tentarem chegar a diretrizes, mas nada além disso”, declarou Bakker.

Apesar dos avanços, há consenso de que ainda é preciso progredir na conscientização do setor privado. Hoje o Pacto Global reúne cerca de 7 mil empresas, mas apenas 10% das multinacionais.

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