Direita tem 57% das interações nas redes no início da campanha contra 30% da esquerda
Apesar de produzir menos conteúdo, campo político teve maior capacidade de transformar publicações em engajamento, segundo levantamento do Democracia em Xeque
Na primeira semana oficial da campanha, a direita foi o campo político que mais falou e também o que mais conseguiu fazer sua mensagem circular nas redes. Levantamento do Instituto Democracia em Xeque (DX) aponta que o grupo respondeu por 47% das publicações analisadas entre 18 e 24 de agosto e concentrou 57% das interações. A esquerda ficou com 41% dos conteúdos e 30% da repercussão. O conteúdo publicado pela imprensa respondeu por 12% do total de publicações e 13% das interações. Ao todo, os 21. 742 conteúdos reunidos pelo instituto nos cinco eixos narrativos analisados somaram 224,7 milhões de interações.
As publicações que envolvem a corrida pela Presidência da República demonstram ainda mais como a direita assume a liderança da narrativa. Esse campo político respondeu por 45% das publicações do eixo e alcançou 59% das interações. A esquerda produziu 23% dos conteúdos e ficou com 26% da repercussão, enquanto a imprensa, responsável por 32% dos posts, concentrou 15% das interações. O eixo foi impulsionado pelo primeiro debate presidencial da Band, realizado sem Lula e Flávio Bolsonaro, e pelo caso Pablo Marçal.
A estreia da propaganda eleitoral aproximou os campos como não se via nas últimas edições, com a direita entre 42% e 50% e a esquerda entre 38% e 45%. No domingo, 16 de agosto, os candidatos começaram as suas campanhas nas redes e, nessa sexta, 28, deve ter início a propaganda eleitoral nas emissoras de rádio e televisão.
Desde o início da campanha, a esquerda teve altos e baixos em suas interações nas redes. No sábado, 22, a esquerda assumiu a maioria com 45% contra 42%.
A cobertura da imprensa manteve-se estável entre 9% e 13% ao longo de todo o período, o que indica cobertura constante mesmo nos dias sem fatores de peso.
Na política nacional, principal eixo da semana, a vantagem da direita também foi expressiva. O espectro político foi responsável por 64% das publicações. A esquerda respondeu por 28% dos posts. O tema foi marcado sobretudo pela disputa em torno da economia, com conteúdos sobre impostos, juros, dívida pública e poder de compra — assuntos explorados pela oposição para atacar o governo Lula.
Curiosamente, mesmo no eixo em que a esquerda mais se fez presente, a diferença não desapareceu. Na mobilização de campanha, o campo respondeu por 82% das publicações, contra 18% da direita. Quando se observa, porém, a repercussão, a distância diminui: 69% das interações ficaram com a esquerda e 30% com a direita. O resultado sugere que o volume de conteúdo produzido pelas campanhas não se converte automaticamente em atenção proporcional nas redes.
Há, portanto, uma primeira fotografia da disputa digital de 2026: a direita não apenas produz uma parcela maior do conteúdo político monitorado pelo DX como também consegue concentrar uma fatia ainda maior da repercussão. A vantagem não é uniforme — varia conforme o assunto —, mas aparece justamente em temas de alto potencial de conflito, como economia, ataques ao governo e corrida presidencial.
Lulinha vira munição contra Lula
Se a economia foi o principal eixo da semana, o escândalo envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, foi uma das narrativas com maior capacidade de produzir atenção. O tema respondeu por 12% das publicações analisadas e teve a segunda maior concentração de um campo político: 71% dos posts vieram da direita. A imprensa respondeu por 19% da produção, enquanto a esquerda ficou com 11%.
O assunto ganhou força após a divulgação de mensagens obtidas pela Polícia Federal no celular da lobista Roberta Luchsinger, que mencionam uma sociedade com Lulinha e pagamentos ao ex-chefe de gabinete de Lula. Na análise do DX, a cobertura jornalística teve repercussão proporcionalmente maior do que sua produção: a imprensa foi responsável por 19% dos posts sobre o caso, mas alcançou 33% das interações.
Dark Horse cobra Flávio
O movimento, porém, não foi simétrico. As suspeitas envolvendo os mais de 60 milhões de reais associados ao Banco Master e ao financiamento do filme Dark Horse, ligado a Flávio Bolsonaro, também apareceram entre os assuntos de maior repercussão — mas permaneceram sobretudo no campo jornalístico. O DX observa que a esquerda ainda não transformou o episódio no centro de sua narrativa nas redes.
A imprensa, por sua vez, continuou cobrando explicações do candidato sobre os recursos. O relatório destaca a repercussão de conteúdos que questionaram a declaração de Flávio de que o caso estaria encerrado e lembraram que o episódio continua sob investigação.
A diferença entre os dois escândalos é reveladora. Dark Horse, embora tenha gerado repercussão jornalística, ainda não se tornou uma bandeira equivalente no campo adversário. Para Flávio, o caso é dado como encerrado.







