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Direita tem 57% das interações nas redes no início da campanha contra 30% da esquerda

Apesar de produzir menos conteúdo, campo político teve maior capacidade de transformar publicações em engajamento, segundo levantamento do Democracia em Xeque

Por Laila Nery Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 26 ago 2026, 12h06 | Atualizado em 27 ago 2026, 11h58
Direita tem 57% das interações nas redes no início da campanha contra 30% da esquerda Priorizar nos meus resultados Google

Na primeira semana oficial da campanha, a direita foi o campo político que mais falou e também o que mais conseguiu fazer sua mensagem circular nas redes. Levantamento do Instituto Democracia em Xeque (DX) aponta que o grupo respondeu por 47% das publicações analisadas entre 18 e 24 de agosto e concentrou 57% das interações. A esquerda ficou com 41% dos conteúdos e 30% da repercussão. O conteúdo publicado pela imprensa respondeu por 12% do total de publicações e 13% das interações. Ao todo, os 21. 742 conteúdos reunidos pelo instituto nos cinco eixos narrativos analisados somaram 224,7 milhões de interações.

As publicações que envolvem a corrida pela Presidência da República demonstram ainda mais como a direita assume a liderança da narrativa. Esse campo político respondeu por 45% das publicações do eixo e alcançou 59% das interações. A esquerda produziu 23% dos conteúdos e ficou com 26% da repercussão, enquanto a imprensa, responsável por 32% dos posts, concentrou 15% das interações. O eixo foi impulsionado pelo primeiro debate presidencial da Band, realizado sem Lula e Flávio Bolsonaro, e pelo caso Pablo Marçal.

A estreia da propaganda eleitoral aproximou os campos como não se via nas últimas edições, com a direita entre 42% e 50% e a esquerda entre 38% e 45%. No domingo, 16 de agosto, os candidatos começaram as suas campanhas nas redes e, nessa sexta, 28, deve ter início a propaganda eleitoral nas emissoras de rádio e televisão.

Desde o início da campanha, a esquerda teve altos e baixos em suas interações nas redes. No sábado, 22, a esquerda assumiu a maioria com 45% contra 42%.

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A cobertura da imprensa manteve-se estável entre 9% e 13% ao longo de todo o período, o que indica cobertura constante mesmo nos dias sem fatores de peso.

Na política nacional, principal eixo da semana, a vantagem da direita também foi expressiva. O espectro político foi responsável por 64% das publicações. A esquerda respondeu por 28% dos posts. O tema foi marcado sobretudo pela disputa em torno da economia, com conteúdos sobre impostos, juros, dívida pública e poder de compra — assuntos explorados pela oposição para atacar o governo Lula.

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Curiosamente, mesmo no eixo em que a esquerda mais se fez presente, a diferença não desapareceu. Na mobilização de campanha, o campo respondeu por 82% das publicações, contra 18% da direita. Quando se observa, porém, a repercussão, a distância diminui: 69% das interações ficaram com a esquerda e 30% com a direita. O resultado sugere que o volume de conteúdo produzido pelas campanhas não se converte automaticamente em atenção proporcional nas redes.

Há, portanto, uma primeira fotografia da disputa digital de 2026: a direita não apenas produz uma parcela maior do conteúdo político monitorado pelo DX como também consegue concentrar uma fatia ainda maior da repercussão. A vantagem não é uniforme — varia conforme o assunto —, mas aparece justamente em temas de alto potencial de conflito, como economia, ataques ao governo e corrida presidencial.

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Lulinha vira munição contra Lula

Se a economia foi o principal eixo da semana, o escândalo envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, foi uma das narrativas com maior capacidade de produzir atenção. O tema respondeu por 12% das publicações analisadas e teve a segunda maior concentração de um campo político: 71% dos posts vieram da direita. A imprensa respondeu por 19% da produção, enquanto a esquerda ficou com 11%.

O assunto ganhou força após a divulgação de mensagens obtidas pela Polícia Federal no celular da lobista Roberta Luchsinger, que mencionam uma sociedade com Lulinha e pagamentos ao ex-chefe de gabinete de Lula. Na análise do DX, a cobertura jornalística teve repercussão proporcionalmente maior do que sua produção: a imprensa foi responsável por 19% dos posts sobre o caso, mas alcançou 33% das interações.

Dark Horse cobra Flávio

O movimento, porém, não foi simétrico. As suspeitas envolvendo os mais de 60 milhões de reais associados ao Banco Master e ao financiamento do filme Dark Horse, ligado a Flávio Bolsonaro, também apareceram entre os assuntos de maior repercussão — mas permaneceram sobretudo no campo jornalístico. O DX observa que a esquerda ainda não transformou o episódio no centro de sua narrativa nas redes.

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A imprensa, por sua vez, continuou cobrando explicações do candidato sobre os recursos. O relatório destaca a repercussão de conteúdos que questionaram a declaração de Flávio de que o caso estaria encerrado e lembraram que o episódio continua sob investigação.

A diferença entre os dois escândalos é reveladora. Dark Horse, embora tenha gerado repercussão jornalística, ainda não se tornou uma bandeira equivalente no campo adversário. Para Flávio, o caso é dado como encerrado.

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