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Dilma diz que pode disputar eleição para senadora ou deputada

Pela primeira vez, petista admite intenção de voltar a ocupar cargo político; para ela, impedimento da candidatura de Lula em 2018 seria um ‘segundo golpe’

Dilma Rousseff parece mais relaxada do que quando estava na Presidência do Brasil. Brinca, repassa a apertada lista de conferências que a aguardam na Europa e nos Estados Unidos e, pela primeira vez, fala de seu futuro políticoDestituída em 2016 pelo Congresso, sob a acusação de maquiar as contas públicas, a ex-presidente passa seus dias em Porto Alegre, onde segue obedientemente sua rotina de exercícios físicos e passeios de bicicleta, e só parece perder a paciência quando é consultada sobre o escândalo de corrupção da Petrobras que atingiu seu governo.

“Eu não serei candidata a presidente da República, se é essa a sua pergunta. Agora, atividade política nunca vou deixar de fazer (…) Eu não afasto a possibilidade de me candidatar para esse tipo de cargo: senadora, deputada, esses cargos”, declarou em entrevista à agência AFP.

Apesar do impeachment, Dilma não perdeu seus direitos políticos para ocupar cargos públicos, e pode, portanto, ser candidata a cargos eletivos. Aos 69 anos, ela disputou apenas dois cargos eletivos em sua vida: a Presidência, que venceu em 2010, e a reeleição de 2014, ambas pelo PT.

Questionada sobre como é possível que desconhecesse a monumental rede de subornos que drenou mais de dois bilhões de dólares da Petrobras para financiar campanhas políticas, Dilma abandona o semblante afável que adotou após seu impeachment. “Os processos são extremamente complicados (…) Ninguém no Brasil sabe de todos os processos de corrupção hoje”, afirmou.

Primeira mulher a chegar à chefia de Estado do Brasil, Dilma conserva em sua conta do Twitter a frase “presidenta eleita do Brasil”. Como o país não concede nenhum tipo de pensão aos seus ex-presidentes, Dilma se mantém financeiramente com os 5.300 reais mensais que recebe de aposentadoria por ter sido funcionária do Estado do Rio Grande do Sul e completa sua renda com o aluguel de quatro apartamentos familiares.

Impeachment

Afilhada política do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2002-2010), Dilma diz que não costuma ter problemas ao percorrer as ruas do bairro Tristeza, onde vive em Porto Alegre, nem quando viaja ao Rio de Janeiro para visitar sua mãe. Mas, com as lembranças do impeachment ainda frescas na memória do país, afirma não ter garantias, apesar de contar com um guarda-costas. “Nada impede que alguém me agrida”, declara.

Dilma diz repassar “sistematicamente” os documentos do processo que a retirou do poder e que encerrou um ciclo de mais de 13 anos do PT no governo, substituindo-a por seu vice, o conservador Michel Temer (PMDB), a quem acusou de liderar um “golpe parlamentar”. “As pedras de Brasília e as emas da Alvorada sabiam que eles estavam inventando um motivo para me afastar”, afirma, em uma referência ao tempo em que vivia no Palácio da Alvorada, cercado de jardins intermináveis povoados por pássaros. “Foi a chamada justiça do inimigo: não se julga, se destrói”, acrescenta.

Lula

Uma pesquisa recente colocou Lula à frente em todos os cenários eleitorais para 2018. Processado em vários casos relacionados ao escândalo na Petrobras, seu futuro é uma incógnita. “Apesar de todo o processo de tentativa de destruição da personalidade, da história e tudo, o Lula continua em primeiro lugar, continua sendo espontaneamente o mais votado”, afirma Dilma, para quem há um “segundo golpe” em amadurecimento: criminalizar Lula para impedir que ele seja candidato.

Dilma diz não guardar rancores pessoais contra aqueles que levaram sua destituição adiante, uma atitude que conserva de seus tempos de militância marxista, quando foi capturada e torturada durante a ditadura militar (1964-1985).

E isso inclui o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ), cérebro por trás do impeachment, atualmente na prisão por um caso de corrupção. “Eu não tenho em relação ao Eduardo Cunha nenhum sentimento de vingança ou qualquer coisa que o valha. Eu não tive em relação ao torturador. Não dou luxo para torturador de ter ódio de torturador, nem tampouco para o Eduardo Cunha”, conclui.

(Com AFP)

Comentários

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  1. Antonio Geraldes

    Tudo isso graças ao Excelentissimo juiz do Supremo, senhor Vagabundowiski que dividiu o processo e não caçou os direitos da mocreia…..pais nojento

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  2. Michelle Rombaldi

    Eu só espero que alguma entidade ou partido político faça o seu dever e ingresse no STF com o pedido de cassação dos direitos políticos dela, já o que aconteceu lá no Senado é uma aberração jurídica, que afronta texto literal da Constituição Federal. Tem que levar essa questão para o Plenário do STF, não se pode sustentar uma afronta direta à CF. Aí ficaremos livre dela por 8 anos e ela não ameaçaria concorrer a cargo público como está fazendo.

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  3. Pior é que tem muito guadrupede eleitor dela!

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  4. Tadeu Monteirinho

    Só patifaria dessa PTralha não? Hum…

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  5. Gilson Yugi Nakata

    Bota a Dilma no PC do B para ser vice do Lula, assim os dois afundam juntos.. ou afundam o Brasil juntos…

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  6. Gente, o que é isso? Direito todo mundo tem, mas moral, legitimidade, será que ela tem? Af! Se fosse eu, ficaria bem quietinha com minha família, aproveitando os netinhos, etc., já que o negócio todo saiu de bom, de ótimo tamanho para ela. Faça ideia o tamanho das orelhas lá no Senado, hein? Alguém aí, per favore, convença-a a sossegar! Ainda tem tempo de ela conseguir a Salvação…

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  7. Era tudo que nós não precisamos, a volta dessa mulher que juntamente com Lula desgraçou o país. Deus, librai-nos dessa mulher!

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  8. Não bateram na cabeça da jararaca e lá vem ela pra desgraçar mais uma vez esse pais…

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