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Dilma critica Grã-Bretanha por barrar pesquisadores

Por Da Redação - 26 jul 2012, 08h52

Por Jamil Chade e Daniela Milanese

Londres – A presidente Dilma Rousseff desembarcou ontem em Londres e atacou a política de imigração da Grã-Bretanha e o tratamento dado a bolsistas brasileiros do programa Ciência sem Fronteiras. Em reunião com o primeiro-ministro David Cameron, Dilma não escondeu o mal-estar do governo em relação à dificuldade de estudantes e pesquisadores para conseguir o visto.

Segundo o governo, a Grã-Bretanha teria criado dificuldades para a concessão das autorizações, como impor uma prova de inglês, que, na avaliação do Itamaraty, seria usada para barrar os brasileiros. Além disso, estaria limitando o número de meses para o visto, que acabaria, muitas vezes, antes do término da bolsa – que, na maioria dos casos, dura de 12 a 15 meses. Por fim, estaria incluindo os estudantes no mesmo grupo dos imigrantes. Brasileiros que vão a turismo para a Inglaterra não precisam de visto se forem ficar até três meses.

A irritação do governo brasileiro se dá pelo fato de os bolsistas receberem recursos públicos e as universidades e a economia britânica serem beneficiadas, enquanto os estudantes são prejudicados. A queixa do Brasil ocorre no momento em que o Ciência sem Fronteiras enfrenta críticas de bolsistas que não conseguiram renovar suas bolsas e terão de deixar suas pesquisas em universidades estrangeiras.

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O acordo de intercâmbio do Brasil com mais de cem universidades britânicas foi assinado em 2011. Pelo entendimento, o governo paga a bolsa, a estadia dos estudantes e pesquisadores na Grã-Bretanha e as taxas cobradas pelas universidades. Em troca, o governo inglês estipularia vagas para os brasileiros e facilitaria a concessão de vistos.

O acordo chegou a ser citado pelas autoridades britânicas como um sinal de que Londres está disposta a manter um novo patamar nas relações bilaterais. À reportagem, o Ministério de Relações Exteriores da Grã-Bretanha avaliou que o impacto dos brasileiros na economia britânica será de cerca de 170 milhões de libras esterlinas por ano.

Afagos

A reunião entre Dilma e Cameron começou com elogios mútuos. O premiê afirmou que o fato de os dois países sediarem jogos consecutivos abre a oportunidade para negócios. Dilma classificou como “brilhante” a preparação da Olimpíada de Londres e disse que o Brasil precisa aprender com os ingleses.

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Mas, quando teve início a parte privada da reunião, Dilma deixaria claro que a realidade em relação à cooperação científica é bem diferente do discurso e há um “descompasso” entre a política de imigração do país e o acordo de intercâmbio com o Brasil.

A presidente levou para o encontro com Cameron o ministro de Educação, Aloizio Mercadante. Segundo assessores da pasta, o governo já redirecionou para universidades americanas cerca de cem estudantes que haviam sido selecionados para bolsas na Grã-Bretanha e não conseguiram o visto adequado.

A política de imigração do governo desagrada às universidades britânicas, que dizem perder alunos para outros países. Além disso, elas estão reajustando as mensalidades, pois Cameron reduziu o repasse de recursos públicos para a educação, como parte da estratégia de corte de gastos e redução do déficit público.

As universidades querem aproveitar a Olimpíada para destacar o interesse em receber estrangeiros. Segundo a organização Universities UK, o país é o segundo do mundo a atrair alunos de fora, atrás apenas dos EUA. Atualmente, 406 mil estudantes de outros países estão na Grã-Bretanha. Em Londres, 25% da população das universidades é estrangeira. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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